Sonho e Delírio, um filme sobre os bate-bolas
Por Meia Hora
Publicado em 22/03/2026 00:00:00 Atualizado em 22/03/2026 00:00:00Contemplado pelo Edital Sesc Pulsar - Palavra Líquida, cujo tema da última edição foi Tempo e Festa, o curta- metragem Sonho e Delírio une imagem, literatura, performance e som. Sob a direção de Marcio Nolasco, o filme constrói um diálogo entre o ensaio fotográfico Utopia, do artista Luiz Baltar, e o texto Cordões, do cronista João do Rio. A estreia acontece no próximo sábado, dia 28 de março, às 15h30, no Espaço Cultural Arte Sesc, no Flamengo - RJ. Posteriormente, haverá exibições em outras unidades, em data a definir.
A pesquisa de Luiz Baltar abarca questões relacionadas ao território, cultura e direito à cidade. Há mais de uma década, ele se dedica a registrar os bate-bolas, contribuindo para a preservação da memória e valorização da tradição. Popular no subúrbio carioca e na periferia fluminense, trata-se de um personagem típico do carnaval de rua, presente nos bairros da Zona Norte, Oeste e Baixada. Devido à sua importância, por meio do decreto nº 35.134, de 16 de fevereiro de 2012, foi declarado Patrimônio Cultural Carioca, de natureza imaterial. Além disso, segundo o mapeamento da Secretaria Municipal de Cultura, existem mais de 400 turmas ativas.
Ao revisitar o próprio arquivo, Luiz Baltar traz a potência estética, comunitária e simbólica dos bate-bolas. Longe de querer explicar o que é a manifestação, o filme, com seu aspecto lúdico e fantasioso, nos convida a uma experiência sensorial. A narrativa, na contramão dos estigmas sociais, se divide em duas partes: a primeira, do Sonho, voltada para a concentração, antes da saída às ruas, com trabalhos em preto e branco, e, a segunda, do Delírio, quando o corpo ocupa o espaço público e se movimenta, trazendo à cena uma explosão de cores. O dançarino Laranjinha Ritmado, por sua vez, assume a função de personagem que se conecta de um momento ao outro.
O filme Sonho e Delírio não só traz o bate-bola como protagonista da história, mas nos lembra que ele é sinônimo de identidade, resistência e força da juventude periférica.