'Cheiro de Diesel' chega aos Cinemas
Por Meia Hora
Publicado em 12/04/2026 00:00:00 Atualizado em 12/04/2026 00:00:00Os jornais são a primeira companhia para muitos cariocas, seja pela TV, rádio, online ou no impresso. O objetivo é se informar sobre o trânsito, possíveis acidentes e até mesmo se há operações policiais em curso.
Mas, para moradores de favela, verificar grupos de WhatsApp e páginas de Instagram ganha uma dimensão ainda mais profunda: o medo de perder alguém próximo pode ser maior do que o medo pela própria vida. Segundo dados da pesquisa 'Construindo Pontes', realizada pela Redes da Maré, 70% da população mareense teme que alguém próximo seja atingido por uma bala perdida na Maré.
Essa é uma realidade cotidiana e constante, documentada no longa-metragem Cheiro de Diesel, dirigido por Natasha Neri e Gizele Martins, que chegou aos cinemas brasileiros no dia 2 de abril. A obra resgata duas feridas ainda abertas na história do país: o Golpe Militar, que deu início a uma ditadura de mais de três décadas no Brasil e completou 62 anos em 1º de abril; e a invasão das Forças Armadas na Favela da Maré, no Rio de Janeiro, iniciada há 12 anos, em 5 de abril de 2014, sob o pretexto de 'pacificar' a região.
Gizele acompanhou de perto o processo de ocupação de favelas pelas Forças Armadas, como moradora, jornalista e integrante da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado. Ela reflete sobre a recepção do filme ao afirmar que, quando as pessoas saem das sessões dizendo que desconheciam essas violações, isso revela uma cidade profundamente dividida e um país que ainda não teve a oportunidade de ver, ouvir e ler memórias como as vividas por quem mora nas favelas. Diante disso, questiona quem está contando essas experiências e essas vidas.
Vencedor de dois prêmios no Festival do Rio, Cheiro de Diesel denuncia violações de direitos humanos em comunidades ocupadas pelas Forças Armadas a partir de decretos presidenciais de Garantia da Lei e da Ordem.