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Clima de Copa no Jacarezinho

Por Meia Hora

Publicado em 14/06/2026 00:00:00 Atualizado em 14/06/2026 00:00:00
Segunda edição do Ocuparte começa no dia 27

Os becos do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio de Janeiro, vão ganhar novas cores no próximo dia 27 com a segunda edição do Ocuparte, festival de cultura de rua idealizado pela grafiteira Mia Rodriguez, de 24 anos. Com o tema da Copa do Mundo, o evento será realizado na Travessa Jerusalém, na famosa Fazendinha, e vai reunir grafite, pintura de chão e atividades culturais para toda a comunidade a partir das 8h.

O Ocuparte nasceu da proposta de utilizar a cultura como ferramenta de transformação social e promoção da saúde mental nas periferias. Moradora do Jacarezinho e criada em Manguinhos, Mia construiu o projeto a partir da união entre sua trajetória no movimento hip-hop, sua experiência estudantil no Colégio Pedro II e sua formação em Psicologia pela Uerj.

"Quando as pessoas pesquisam o Jacarezinho, quase sempre encontram apenas a violência e a forma estigmatizada como falam sobre nós. O Ocuparte nasce da tentativa de disputar essa memória e mostrar toda a potência que existe dentro da favela. Queremos que as crianças se lembrem daqui como um lugar de arte, cultura e pertencimento. Afinal, a forma como enxergamos o lugar onde vivemos também influencia aquilo que acreditamos ser possível para o nosso futuro", afirma Mia.

Embora a ideia do Ocuparte acompanhasse Mia há anos, o projeto ganhou forma em 2025, após ela conhecer um morador que pintava o Campo do Abóbora, um dos principais pontos de encontro do Jacarezinho. Da conversa surgiu a proposta de um mutirão de grafite que mobilizou a comunidade e deu origem à primeira edição do festival, realizada em outubro daquele ano.

Nesta segunda edição, a escolha do tema da Copa do Mundo tem um significado especial. Para Mia Rodriguez, o futebol ocupa um lugar central no imaginário de crianças e adolescentes e pode servir como ponto de partida para apresentar novas referências de pertencimento e identidade.

"Não existe nada como a experiência de ser criança durante uma Copa do Mundo. É um momento em que se sonha e se escolhem heróis. Ao trazer o Ocuparte para esse período, a gente também entra nessa disputa do imaginário, mostrando que existem outras referências possíveis dentro da própria favela: grafiteiros, dançarinos, MCs e pessoas que transformam o território por meio da cultura", conclui a organizadora.

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