Mulheres negras na liderança do PerifaConnection
Por Meia Hora
Publicado em 26/07/2026 00:00:00 Atualizado em 26/07/2026 00:00:00Enquanto mulheres negras seguem sendo minoria nos espaços formais de poder, organizações da sociedade civil têm construído experiências que desafiam esse cenário. No PerifaConnection, plataforma de conexão e confluência das periferias brasileiras, a gestão é conduzida por quatro diretoras negras e periféricas: Thuane Nascimento (RJ), Jú do Coroadinho (MA), Vitória Galvão (AM) e Karina Penha (MA). Juntas, elas definem as estratégias e a incidência política da organização.
A realidade do PerifaConnection contrasta com os dados sobre representação no Brasil. Embora as mulheres negras representem cerca de 28% da população brasileira, elas ainda enfrentam barreiras históricas para acessar cargos de liderança nos setores público, privado e no terceiro setor. A desigualdade é resultado da sobreposição de marcadores como raça, gênero e classe, que limitam o acesso aos espaços de decisão e poder.
Com atuação em diferentes regiões do país, o Perifa trabalha para potencializar juventudes negras periféricas por meio da articulação, da formação e da ocupação política de espaços. Desde sua criação, a organização parte do entendimento de que as periferias produzem conhecimento, cultura e soluções para enfrentar os desafios do país. A liderança formada por mulheres negras e periféricas influencia diretamente a definição das prioridades institucionais e a forma como a organização constrói suas ações e produz narrativas sobre os territórios.
"A diretoria do PerifaConnection reflete a diversidade das periferias brasileiras. Somos mulheres negras de diferentes estados do país que, há anos, atuam na luta pelo bem-viver, pela justiça social e pela reparação histórica. Apostamos nesse modelo de gestão porque entendemos que, embora as periferias compartilhem desafios comuns, cada território tem suas especificidades. Nossa gestão também reconhece uma realidade das periferias: muitas das lideranças que fazem projetos acontecerem são mulheres negras que, mesmo sem ocupar cargos formais de poder, articulam redes, mobilizam pessoas e sustentam transformações cotidianas", afirma a diretoria da organização.
Nesse sentido, a reflexão da filósofa e ativista Angela Davis permanece atual: "Quando uma mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela".