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Violência interrompe aulas

Por Meia Hora

Publicado em 02/08/2026 00:00:00 Atualizado em 02/08/2026 00:00:00
Velório de Marcos Vinicius da Silva, de 14 anos, que foi morto em 2018, na Maré

Em 2023, 13,4% das escolas fluminenses que responderam ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) relataram tiroteio ou bala perdida, o maior percentual entre as unidades da Federação. Em uma escola pública, um aluno precisou se abaixar na sala durante um tiroteio, segundo a avó. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 mostra que 325 escolas — 8,7% das unidades do Rio com respostas válidas — tiveram o calendário interrompido por vários dias devido à violência. Foi o segundo maior índice do país.

Medo que permanece

Uma mãe e avó de alunos da rede pública, não identificada para preservar a família, conta: "Ele já teve que ficar abaixado em sala de aula durante o tiroteio, e isso acabou causando medo e insegurança nele, ele até se abaixa quando escuta barulho de fogos de artifício".

Operações e tiroteios também provocam perda de conteúdo e desorganizam a rotina. "Nós contamos com o horário escolar das crianças e nos planejamos com base nisso, quando isso muda a rotina acaba virando uma bagunça e uma correria por ter que trabalhar e não ter quem cuide das crianças."

Desigualdade acumulada

No Grande Rio, o Instituto Fogo Cruzado registrou 730 tiroteios no entorno escolar em 2025 e informou que 1.102 escolas foram afetadas. Houve ocorrências em 198 dias letivos; em 172, os tiroteios estiveram relacionados a ações ou operações policiais. De janeiro a junho de 2026, foram 283 tiroteios e registros em 92 dias letivos, 79 durante ações ou operações policiais.

Para Carlos Nhanga, do Fogo Cruzado, "o convívio crônico com a violência armada funciona como uma desvantagem cumulativa", com impacto no desempenho e na permanência na escola. Estudo citado por ele aponta abandono médio superior a 10% em escolas de áreas com mais de três confrontos no ano, ante 7,7% onde não houve violência armada aguda.

A Secretaria estadual de Educação não informou quantas unidades ou aulas foram afetadas. Disse que as escolas são orientadas a repor conteúdos. A pasta afirmou adotar protocolos firmados com o Ministério Público e a metodologia Acesso Mais Seguro. A Secretaria de Segurança Pública também não apresentou os números solicitados. Afirmou que as pastas de Educação são avisadas antes de operações e que as forças policiais seguem protocolos para preservar vidas.

Para a entrevistada, as escolas devem manter apoio e diálogo com as famílias. "O poder público precisa garantir mais segurança para que as crianças possam estudar sem correr riscos e sem ter os estudos atrapalhados ou até interrompidos pela violência".

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