Roberta Krawczuk - Visibilidade lésbica
Por Meia Hora
Publicado em 23/08/2026 00:00:00 Atualizado em 23/08/2026 00:00:00Há mais de 20 anos, Roberta Krawczuk, 47, constrói sua trajetória em um mercado historicamente dominado por homens. Tatuadora, artista plástica e moradora da favela Tavares Bastos, no Catete, ela transformou a arte em profissão, expressão e em caminho para conquistar a autonomia.
Ser mulher e lésbica fez com que Roberta enfrentasse preconceitos que, muitas vezes, se sobrepõem. Na família, o processo de afirmação também trouxe situações desconfortáveis. Com o tempo, ela entendeu que não precisava justificar a própria existência. "Minha sexualidade é uma parte de mim, não é algo que eu tenha que esconder ou pedir licença para viver", afirma.
No mercado da tatuagem, a desigualdade apareceu de outra forma. "Para um homem, às vezes a competência já é presumida; para a mulher, parece que ela precisa provar", diz. A busca por independência profissional também foi uma resposta a ambientes em que não se sentia respeitada. Ao construir seu próprio espaço de trabalho, Roberta passou a escolher como e com quem trabalhar e procura oferecer o mesmo acolhimento a quem chega até ela.
Essa vivência também atravessa sua produção artística. Em pinturas, desenhos e tatuagens, trabalha com elementos brasileiros, referências afro-indígenas, memória, símbolos e histórias pessoais. "Tudo o que a gente vive atravessa o que cria."
No Mês da Visibilidade Lésbica, Roberta lembra que ocupar espaços importa diante de tantas histórias apagadas. Seu desejo, porém, é que um dia isso deixe de causar estranhamento. "Ainda precisamos de mais respeito, mais oportunidades e, principalmente, do direito de existir sem ter que explicar ou defender o tempo inteiro quem a gente ama."
Veja o trabalho de Roberta no Instagram (@robertaktattoo).