'Um favelado venceu, a favela ainda não'
Por Meia Hora
Publicado em 30/08/2026 00:00:00 Atualizado em 30/08/2026 00:00:00Foi nas ruas do Vilar Carioca, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, que começou a ser construída a trajetória de Rodrigo Freitas Fernandes Morais, o Major RD, hoje um dos grandes nomes do hip- hop nacional. Aos 29 anos, o artista carioca sobe ao palco do Espaço Favela do Rock in Rio, no próximo sábado, para apresentar Alfa, seu novo álbum de estúdio.
Mesmo vivendo um dos maiores momentos da carreira, Major RD não esquece suas raízes. Na visão do rapper, muito da sua arte nasceu justamente das experiências no Vilar Carioca e nas batalhas de rima.
"É onde eu cresci, onde me eduquei, onde aprendi tudo o que sei. Muitas das minhas músicas, das minhas composições, são baseadas nas vivências que ocorreram lá, tá ligado? E costumo dizer que não só as minhas, mas também alguns dos meus amigos mais próximos. Graças a Deus, hoje eu posso passar por lá e ser o maior exemplo do que aquele local inspira", compartilha.
Lançado em 29 de julho deste ano pela Warner Music Brasil, Alfa traduz esse sentimento ao longo de suas 13 faixas. É na música que dá nome ao trabalho que Major RD canta uma das mensagens centrais que queria transmitir com a obra: "A favela não venceu, menor / Você venceu sozinho".
A frase, segundo o rapper, traduz a ideia de que a vitória individual de um artista não anula o longo caminho que ainda precisa ser percorrido para garantir mais dignidade às favelas e periferias cariocas.
"Acho que, com o decorrer do tempo, a galera se distraiu um pouco com essa visão de ostentação no rap, no trap e no funk. 'Ah, se eu comprei um carro, a favela venceu'. Não, a favela ainda não venceu, eu venci, tá ligado? Eu venci, mas falta muito para a favela vencer. Um favelado venceu, a favela ainda não. Ainda tem muitas coisas para mudar, muitas coisas para melhorar", destaca.
Para Major RD, sair de onde cresceu e chegar ao palco do Rock in Rio representa a realização de "um sonho de criança" que, durante muito tempo, pareceu "impossível". Agora, com mais de 3 milhões de ouvintes mensais no Spotify e dezenas de sucessos na pista, ele diz que sua trajetória prova que acreditar nos sonhos pode fazer a diferença.
Por fim, o rapper deixa ainda uma mensagem aos jovens das favelas e periferias do Rio de Janeiro que sonham em trilhar um caminho parecido: "Acredita no teu sonho, valoriza os amigos de verdade e não somente quem tem seguidor no Instagram, porque, no fim das contas, números são só números. E acredita, porque demora, mas acontece".