Alô Comunidade

Dança como existência e resistência

Treino Aberto BXD constrói há cerca de 14 anos um espaço em que dança, música e ocupação do território se encontram

Por Meia Hora

Publicado em 20/09/2026 00:00:00 Atualizado em 20/09/2026 00:00:00
Treino Aberto BXD acontece toda quarta

'É som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado." O hino carioca já dizia que, na favela, é através do corpo que se estabelece vida. Afinal, corpos periféricos reivindicam e se organizam em prol de "se eu não puder dançar, não é minha revolução", como explicita a ativista Emma Goldman.

Na Baixada Fluminense, o Treino Aberto BXD constrói há cerca de 14 anos um espaço em que dança, música e ocupação do território se encontram. Criado em 2012 por Luana Luara Alves da Silva, que cresceu na Favela da Caixa D'Água, em Belford Roxo, o projeto nasceu dentro de uma escola pública e cresceu entre quadras, praças e comunidades da região.

"No início, quase nada estava pronto. Faltavam água, banheiro, iluminação e equipamentos. Uma pessoa levava a caixa de som, outra conseguia uma extensão e até a luz era improvisada para que o encontro acontecesse. O que existia era a vontade de dançar, aprender e compartilhar", complementam Luana e Ariane Li Araújo Fernandes, produtora e coordenadora executiva do projeto.

A precariedade da estrutura não impediu que a cultura acontecesse. Pelo contrário: o projeto foi criando seus próprios caminhos a partir dos recursos e das pessoas disponíveis no território, uma corporeidade também política.

Hoje, a estrutura é outra. Os encontros acontecem às quartas-feiras, das 19h às 21h30, no Teatro Municipal Armando Melo, em Duque de Caxias, por meio de uma parceria com a Secretaria de Cultura e Turismo até o fim de 2026. A praça, porém, continua fazendo parte da história: a proposta é manter ao menos um encontro mensal na Praça do Raul Cortez. E a dança é só uma parte da roda de toda uma cultura que se movimenta pelo som, mas também pelas pessoas que produzem, ocupam e transformam esses espaços.

Dançar é também uma bandeira que reivindica alegria, transformação social e direito de viver plenamente. No Treino Aberto BXD, essa ampliação atravessa a própria proposta do projeto. Os encontros são abertos a crianças, jovens, adultos, mulheres, pessoas LGBTQIAPN , pessoas negras e pessoas com deficiência. Não é preciso ser profissional ou ter experiência para chegar, basta vir, com seu corpo.

Da escola pública às praças e, agora, ao teatro municipal, o Treino Aberto BXD mantém uma lógica que nasceu na própria periferia: criar com o que se tem, ocupar o espaço e fazer a cultura circular. Acompanhe mais do projeto Treino Aberto BXD através do Instagram (@treinoabertobxd).

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