A periferia não pode ser só base eleitoral. Tem que ser parte da construção política!
Por Meia Hora
Publicado em 04/10/2026 00:00:00 Atualizado em 04/10/2026 00:00:00Bandeiras nas ruas, jingles tocando, panfletos e santinhos espalhados pelo chão. Nas redes sociais, discussões e postagens sobre as eleições. Nos grupos de WhatsApp, vídeos políticos circulando o tempo todo e debates que, muitas vezes, atravessam o dia.
Para muita gente, a eleição também representa uma oportunidade de fazer uma renda extra, seja bandeirando, panfletando ou trabalhando em alguma atividade de campanha. Mas a política não termina quando a eleição acaba. E é justamente a partir daí que a nossa participação precisa continuar.
Não podemos participar desse processo apenas como mão de obra eleitoral ou como quem recebe um santinho na rua. Nossas vozes precisam ser ouvidas e nossas demandas precisam estar presentes nos espaços onde as decisões são tomadas.
Hoje, temos a responsabilidade de escolher quem vai ocupar a Presidência da República, os governos estaduais, o Senado e as Câmaras Federal e estaduais. São pessoas que ocuparão espaços de poder e tomarão decisões que impactam diretamente a vida nos nossos territórios.
A periferia não pode ser lembrada apenas como base eleitoral. Precisa fazer parte da construção política, da elaboração das propostas e do acompanhamento das decisões tomadas por quem foi eleito.
Por isso, algumas perguntas são fundamentais: quem está construindo as propostas? Quem está sendo ouvido? Quem participa dessas decisões? Quais compromissos as candidaturas assumem com os nossos territórios? E, principalmente, o que acontece depois que os votos são contados?
Nessas eleições, em um Brasil onde 6,48 milhões de pessoas ainda vivem em situação de insegurança alimentar grave, segundo o IBGE, a frase de Carolina Maria de Jesus, em Quarto de Despejo, ganha ainda mais força: "O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome também é professora, quem passa fome aprende a pensar no próximo e nas crianças."
As decisões tomadas por quem ocupa os espaços de poder definem prioridades, distribuem recursos e podem mudar para melhor ou para pior a vida da população. Quando falamos de alimentação, saúde, moradia, transporte, trabalho ou das enchentes que atingem os nossos territórios todos os anos, estamos falando também de escolhas políticas. Por isso, acompanhar e cobrar quem foi eleito é tão importante quanto votar.
Um Brasil que representa o seu povo precisa ter pessoas negras e periféricas decidindo o seu futuro. Por isso, hoje, vote consciente.