'A gente parece que mora no trabalho'
Por Meia Hora
Publicado em 25/10/2026 00:00:00 Atualizado em 25/10/2026 00:00:00Fabrício Fernandes, de 32 anos, conta como jornadas de seis dias afetam o descanso, o convívio com amigos e familiares e a busca por renda extra. Quando levava uma hora e meia para voltar para casa, Fabrício Fernandes dormia menos para tentar 'viver' um pouco. Hoje, trabalha numa farmácia de manipulação no Méier, Zona Norte do Rio, e mora perto do emprego. Folga todos os domingos e em sábados alternados, mas conhece bem a rotina de trabalhar seis dias seguidos.
Como funciona sua jornada hoje?
Fabrício: Folgo todos os domingos e sábado sim, sábado não. Quando trabalho no sábado, são seis dias seguidos: das 10h às 19h durante a semana e das 9h às 13h no sábado. Às vezes, trocamos as folgas quando temos algum compromisso.
O que mudou ao morar mais perto do trabalho?
Hoje levo de 10 a 15 minutos para chegar. Antes, gastava uma hora e meia para voltar para casa. Era tempo de assistir a um filme e dormir, mas acabava indo deitar tarde para tentar "viver" um pouco. No dia seguinte, acordava cansado.
Já perdeu momentos importantes por causa do trabalho?
Deixei de ir a aniversários, festas de família e comemorações de amigos que terminaram a faculdade. Quando trabalhava numa drogaria, às vezes chegava tão tarde que mal conseguia aproveitar.
Por que começou a revender cosméticos?
O salário cobre as obrigações, mas sobra pouco para a diversão. Fiz revendas por uns quatro anos. Às vezes, precisava adiar entregas pelo cansaço. Parei porque davam mais prejuízo do que lucro.
O lazer também pesa no bolso?
Consigo sair com meus amigos porque eles me ajudam financeiramente. Mas ir sozinho ao cinema ou marcar um encontro já fica difícil. Um aluguel num bairro minimamente razoável passa de R$ 1 mil. Com água, luz e alimentação, o dinheiro praticamente vai embora.
O que mudaria com dois dias de folga toda semana?
Descansaria mais, encontraria amigos e familiares com mais frequência e poderia viajar. Acredito que diminuiria o cansaço físico e mental. Teríamos mais energia para trabalhar.
O que diria a quem defende a escala 6x1?
A gente parece que mora no trabalho e visita nossa casa. São nove horas no emprego e, para muita gente, mais quatro no transporte. Com oito horas de sono, sobram três para nós mesmos. É meio injusto, não acha? A gente vive para trabalhar.