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Moradores da Penha resistem

Por Meia Hora

Publicado em 01/11/2026 00:00:00 Atualizado em 01/11/2026 00:00:00
Ato Frente Penha acolhe famílias atingidas pelo massacre no Complexo do Alemão

Um ano após a chacina mais letal da história do Rio de Janeiro, moradores da Penha ainda convivem com as marcas da violência e a falta de respostas do poder público. Para denunciar violações de direitos, cobrar responsabilização e acolher as famílias atingidas, a Frente Penha organizou um ato no último dia 28 de outubro, quarta-feira, no local do ocorrido.

A assistente social e uma das lideranças da Frente Penha, Evelin Dias, relata que a operação foi marcada por intensos tiroteios durante a madrugada e pelo impacto das notícias sobre os corpos encontrados. "Toda uma comunidade foi impactada por essa violação", relembra.

Segundo Evelin, os efeitos da violência vão além do dia da operação. O medo, a insegurança alimentar, o desemprego e o sofrimento psicológico se somam à dificuldade de acesso a direitos básicos. Entre as principais reivindicações dos moradores estão investimentos em saúde, educação, projetos sociais para jovens e assistência em saúde mental.

Para a liderança, a política de segurança pública tem priorizado o policiamento armado em vez do cuidado com a população. Ela critica a criminalização dos moradores e as violações cometidas no território. "Para o povo favelado existe uma insegurança pública", declarou.

Além da investigação e da responsabilização pelas mortes, Evelin defende a reparação das casas danificadas durante os confrontos, o acolhimento das famílias das vítimas e o acesso à assistência financeira e a programas sociais. Ela também cobra uma atuação policial pautada no respeito à dignidade humana.

A Frente Penha, coletivo formado por moradores e instituições locais, atua na mobilização comunitária e na reivindicação de políticas públicas. Para Evelin, a favela precisa ser reconhecida como parte integrante da cidade, com os mesmos direitos e oportunidades.

Apesar das marcas deixadas pela chacina, a liderança destaca que a Penha não pode ser definida apenas pela violência. Ao lembrar o evento Penha Resiste, realizado meses após a operação, ela ressaltou a participação de artistas, projetos sociais e iniciativas que expressam a diversidade e a força da comunidade.

O ato organizado pela Frente Penha buscou unir a cobrança por justiça ao acolhimento de um território ainda impactado pela violência e contou com a participação de artistas, projetos sociais e iniciativas que expressam a diversidade e a força da comunidade. A mobilização reafirma que, para além das operações policiais, a comunidade é feita de trabalhadores, estudantes, cultura e famílias que reivindicam o direito de viver com dignidade, segurança e esperança.

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