Celebridades e TV

Casas de apostas rompem contratos com emissoras de TV

Globo, Band e ESPN já retiram publicidades, enquanto emissoras buscam novos anunciantes para ocupar os espaços deixados pelas empresas

Por Karilayn Areias

Publicado em 25/09/2026 22:07:30
Após veto do governo, bets rompem contratos com emissoras de TV
As emissoras de televisão começaram a retirar publicidades de casas de apostas após o governo federal confirmar, nesta sexta-feira (25), a proibição da operação das bets no Brasil. Antes mesmo da oficialização da medida, empresas como Betano, Novibet, Superbet e Esportes da Sorte já haviam comunicado às emissoras a intenção de encerrar contratos comerciais. As informações foram divulgadas pela coluna Outro Canal, da Folha de São Paulo.
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A mudança atinge principalmente os espaços ligados ao futebol, que se tornaram uma das principais vitrines para as plataformas de apostas. Após a confirmação do veto, Globo, Band e ESPN começaram a suspender ou retirar anúncios previstos, enquanto o SBT ainda avalia quais providências serão necessárias diante da nova situação.

Na Globo, o setor de apostas tinha uma cota exclusiva para transmissões do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil. Com a saída das empresas, os espaços precisarão ser reorganizados pela área comercial da emissora.

A Band também possui contratos que associavam marcas de apostas a programas esportivos. Entre eles estão acordos de naming rights relacionados ao Jogo Aberto, apresentado por Renata Fan, e Os Donos da Bola, comandado pelo ex-jogador Neto. A emissora avalia como os contratos serão tratados diante da nova regra.

A movimentação para retirar as publicidades também chegou aos canais da Disney. Antes da confirmação oficial da medida, a empresa já havia colocado sua equipe técnica em alerta e preparado uma força-tarefa para retirar anúncios de bets de sua programação.



Emissoras procuram alternativas



Com a saída das casas de apostas, as áreas comerciais das emissoras passaram a buscar alternativas para os espaços que eram ocupados pelo setor. O objetivo é encontrar anunciantes de outros segmentos que possam assumir as cotas e reduzir o impacto da perda desses contratos.

A mudança representa um problema comercial para as empresas de comunicação, que passaram a depender fortemente dos investimentos das bets nos últimos anos. O setor de apostas se tornou um dos principais anunciantes do esporte brasileiro, especialmente em transmissões de futebol.

Apesar da ruptura dos contratos, Globo, Band e ESPN não pretendem cobrar multas das empresas, segundo as informações divulgadas sobre o mercado. A intenção seria construir uma saída negociada e preservar a relação comercial para uma eventual retomada futura do segmento.

A possibilidade de manutenção desse relacionamento também está ligada ao caráter da medida adotada pelo governo. A proibição foi estabelecida por meio de uma medida provisória, que ainda será analisada pelo Congresso Nacional e poderá sofrer alterações durante sua tramitação.

Nos bastidores, as emissoras demonstram preocupação com a perda de receita provocada pela saída das bets. O mercado também acompanha os possíveis efeitos sobre empregos caso os espaços publicitários não sejam preenchidos por novos anunciantes.

A dimensão da mudança pode ser percebida pelo volume de publicidade que as casas de apostas vinham contratando. Segundo dados da Tunad citados em reportagem sobre o mercado, as bets investiram R$ 153 milhões em intervalos comerciais e cotas de patrocínio apenas em agosto.



Veto muda mercado de apostas



A medida provisória anunciada pelo governo também estabeleceu prazos para a retirada dos recursos mantidos pelos usuários nas plataformas. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, os apostadores terão até as 23h59 de 5 de outubro para sacar os valores disponíveis.

A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos de apostas deverão ser retirados do ar. O governo também informou que pretende encaminhar ao Congresso um projeto de lei com punições para quem operar, explorar ou divulgar apostas online de maneira irregular.