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Teve um sabor político

Suíça conta com gols de jogadores originários do Kosovo para virar sobre a Sérvia

Autor do segundo gol da Suíça, Shaqiri (de branco) ensaia um drible sobre o zagueiro Milenkovic
Autor do segundo gol da Suíça, Shaqiri (de branco) ensaia um drible sobre o zagueiro Milenkovic - AFP

A primeira virada de jogo da Copa do Mundo da Rússia, a que deu a vitória de 2 a 1 da Suíça sobre Sérvia ontem, em Kaliningrado, teve a história como pano de fundo. Jogadores originários do Kosovo, o volante Xhaka e o meia Shaqiri fizeram os gols suíços. A região deles declarou, de forma unilateral, a independência em relação à Sérvia, em 2008, mas não foi reconhecida por este país, nem por outros, como Brasil, China, Espanha e o anfitrião da Copa, Rússia. Na tentativa de separação, houve dois grandes conflitos armados entre 1998 e 1999.

Xhaka, que acertou um belo chute de fora da área, e Shaqiri imitaram, com as mãos, a águia negra de duas cabeças presente na bandeira da Albânia, nação ancestral da maioria kosovar, nas comemorações de seus respectivos gols. "Não foi planejado, mas essa águia era para todos que eu amo e para quem esteve comigo", disse Xhaka, cujo pai foi um preso político por três anos e meio na antiga Iugoslávia, no final da década de 1980. "Foi uma partida muito especial, pois Xherdan (Shaqiri), Valon (Behrami), eu mesmo, todos sabiam disso. Nós não conversamos muito nos últimos dias, deixamos os outros fazerem isso por nós", emendou o volante, citando outro jogador de origem kosovar.

Técnico da Suíça, o bósnio Vladimir Petkovic opinou: "Nós todos precisamos deixar a política de lado no futebol. Nós precisamos focar no futebol, que é uma coisa que une as pessoas. É importante mostrar respeito."

Com a vitória, a Suíça ficou em situação confortável no Grupo E. Ela depende apenas de um empate com a Costa Rica na quarta-feira, em Níjni Novgorod, para se classificar às oitavas de final. Caso o Brasil vença a Sérvia, a Suíça pode até perder que passará de fase. Se houver empate entre Brasil e Sérvia, a Suíça pode avançar até com derrota por um gol de diferença, mas dependerá de gols marcados e do número menor de cartões amarelos em relação aos sérvios. A Sérvia tem seis cartões e ela tem quatro.

"Ninguém pensou que poderíamos jogar dessa maneira", disse o técnico Vladimir Petkovic.

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