Esportes

Conselheiros do São Paulo pedem expulsão de vitalício investigado no caso da FGoal

Por Agência Estado

Publicado em 24/03/2026 13:22:39

Conselheiros encaminharam à Comissão de Ética do São Paulo, nesta terça-feira, 24, uma representação em que pedem a expulsão de Antonio Donizete, o Dedé, conselheiro vitalício e ex-diretor social tricolor. No documento, justificam o pedido dizendo que o dirigente protagonizou "condutas incompatíveis com os deveres inerentes ao cargo", em referência ao processo milionário que a FGoal move contra o clube, fundamentada em diálogos que manteve com o vitalício.

A defesa de Donizete, liderada por Erivaldo Cardoso, diz que ele apenas respondeu uma notificação formal da FGoal, sem atacar ou defender nenhum dos lados, por se tratar de "uma obrigação moral e legal". Ele também diz não ter sido notificado sobre o pedido de expulsão.

Dedé é alvo de inquérito da Polícia Federal e do Ministério Público que apura irregularidades no São Paulo. Ele é investigado por causa de um áudio no qual fala sobre cobranças em cima de empresas que atuam no clube. Na gravação, diz que a taxa para uma empresa entrar no clube varia de R$ 100 mil a R$ 150 mil. Depois, fala que é cobrado até 20% do faturamento bruto.

Uma das empresas investigadas é a FGoal, antiga fornecedora de alimentos e bebidas do São Paulo, que está processando o clube para tentar restabelecer o contrato rescindido após a identificação de uma movimentação financeira irregular.

A ação tem como um dos argumentos uma resposta de Dedé à empresa. O ex-diretor já havia dito que seu cargo não garantia gerência financeira. No entanto, o texto anexado na ação judicial afirma que ele autorizou a antiga cessionária a descontar valores nos repasses feitos ao clube, com aval da diretoria financeira. Este é o cenário que sustenta o pedido de expulsão protocolado pelos conselheiros.

"Em outras palavras, um conselheiro e ex-dirigente fornece elemento probatório utilizado contra o próprio Clube em demanda judicial milionária. A situação beira o paradoxo. A quem incumbe defender a instituição passa a municiar a parte adversa com argumentos", diz o texto.

O texto também destaca a ausência de contratos formais nas operações financeiras milionárias com a FGoal. A denúncia aponta ainda que decisões críticas foram tomadas através de fluxos informais e paralelos, sem a devida transparência perante os órgãos de controle.

A representação é assinada por Antonio Garcia Neto, Carlos Henrique Sadi, Edson Francisco Lapolla, Fabio Giaconi de Brito Machado, Flavio Angerami Marques Junior: Conselheiro Eleito, Joandre Antônio Ferraz,José Alexandre Medicis da Silveira, Miguel Augusto de Sousa, Ricardo Rhormens Alves Natel e Roberto Antonio Kirschner.

ENTENDA A BRIGA ENTRE SÃO PAULO E FGOAL

A empresa havia sido contratada para operar a venda de comida e bebida em jogos no MorumBis em 2023 e passou a atuar também no clube social em 2024. Em fevereiro deste ano, o São Paulo solicitou rescisão por justa causa após verificar descontos em repasses da FGoal ao clube.

A cadeia do dinheiro era a seguinte: pagamentos em cartão de alimentos e bebidas no MorumBis ou na praça de alimentação do clube social entravam em uma conta do sistema Zig Pay, controlada pela FGoal. A quantia era repassada, com um desconto (cuja finalidade era o pagamento de funcionários), ao São Paulo.

A prática teve origem em um acordo verbal, firmado pelo ex-diretor-social do São Paulo, Antônio Donizete, o Dedé. Segundo ele, a diretoria financeira tinha conhecimento sobre isso. O clube nega.

Ainda antes de o São Paulo romper com a FGoal, a empresa entrou na mira da força-tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que investiga o clube. Um inquérito foi aberto para apurar possíveis desvios feitos na conta vinculada às maquininhas de cartão.

A FGoal existe desde 2019, mas abriu outro CNPJ quando passou a atender o São Paulo em 2023. O endereço da nova pessoa jurídica é no MorumBis. A empresa afirma que isso se deu por questões logísticas, para o recebimento de mercadoria.

Outras mudanças entre os dois CNPJs, envolvem o capital e as atividades de cada um. O primeiro, com serviços de marketing, aponta R$ 5 mil, enquanto o segundo, que passa a incluir a operação de venda de comida e bebida, tem o valor de R$ 50 mil.

Na época da contratação, foi justificado que o clube precisava de um sistema que acabasse com a inadimplência dos restaurantes que estavam no estádio e no clube social. Segundo Dedé, o São Paulo recebia, em média, R$ 45 mil por mês, dado que aumentou para R$ 160 mil com a implementação do novo sistema.

  • Mais sobre: