SAF do Botafogo abre escritório para análise de documentos após questionamentos do clube social
Por Agência Estado
Publicado em 27/03/2026 10:31:22A SAF do Botafogo anunciou nesta sexta-feira, 27, que permitirá ao clube social analisar documentos financeiros ligados à gestão do futebol. A medida surge em meio a questionamentos internos sobre a condução dos aportes feitos por John Textor e o cumprimento de pontos previstos no contrato de compra do clube-empresa.
Segundo informações divulgadas pelo ge, o associativo já havia formalizado pedidos para ter acesso a esses dados, enviando notificações à SAF ao longo dos últimos meses. A intenção é avaliar com mais profundidade as transações realizadas e verificar se as condições do acordo firmado foram atendidas.
Dentro do clube social, existe um entendimento de que a comunicação sobre os aportes não tem sido suficiente. Parte dos conselheiros questiona especialmente a execução do investimento total previsto na negociação, estimado em R$ 400 milhões.
Entre os pontos de atenção está o destino de recursos que teriam sido direcionados ao Lyon, equipe francesa que também integra a rede de clubes controlada por Textor. Para alguns membros do associativo, esse movimento levanta dúvidas sobre a efetiva aplicação do dinheiro no Botafogo.
Há ainda quem defenda que a operação de venda da SAF não foi concluída da maneira originalmente acordada. Nessa visão, os valores teriam sido movimentados sem permanecer como investimento direto no clube carioca.
A SAF, por sua vez, rebate essa interpretação. A gestão afirma que as obrigações financeiras foram cumpridas e sustenta que o montante exigido já havia sido integralmente aportado antes do prazo estipulado, ainda em 2024.
RELAÇÃO ENTRE SAF E SOCIAL SEGUE TENSIONADA
O acordo firmado entre as partes prevê que o clube social, detentor de 10% das ações, exerça papel fiscalizador sobre a SAF. Esse tipo de atuação já havia ocorrido em episódios recentes, como na negociação de um empréstimo para resolver pendências envolvendo a contratação de Almada, que geraram punições esportivas.
Naquele momento, representantes da gestão participaram de reuniões com instituições financeiras para explicar a origem dos recursos e a estrutura da operação. O associativo, inclusive, buscou apoio técnico externo para analisar o caso.
Apesar disso, o clima entre as partes permanece desgastado. A nova discussão amplia um cenário de conflitos que já inclui disputas judiciais envolvendo Textor, a Eagle Football e a Ares, credora da holding. Também está previsto para os próximos meses um julgamento no Tribunal Arbitral, que pode influenciar os rumos da gestão.
NOTA OFICIAL DO BOTAFOGO:
A Diretoria da SAF recebeu uma notificação do Clube Social solicitando o compartilhamento de informações e documentos financeiros específicos. Em sinal de transparência, boa-fé e parceria colaborativa, a SAF está abrindo as portas de seu escritório aos representantes a serem indicados pelo associativo e agendou um encontro na próxima semana para apresentação integral da referida documentação pessoalmente.
A SAF destaca que esse compartilhamento de informações é um conteúdo além da documentação que já é compartilhada rotineiramente com o Conselho Fiscal e Conselho de Administração, poderes dos quais o Clube Social já faz parte e possui representantes. Por fim, realça a importância do alinhamento, transparência e responsabilidade no uso de informações confidenciais.