Newcastle mira William Gomes após chegada de diretor que criou 'colônia brasileira' no Forest
Por Agência Estado
Publicado em 16/04/2026 09:02:04A chegada de Ross Wilson como diretor esportivo do Newcastle tem reflexo em talentos brasileiros do futebol. Foi ele, quando ainda estava no Nottingham Forest, que contratou nove atletas do Brasil. O novo clube já conta com Bruno Guimarães e Joelinton e mira William Gomes, ex-São Paulo.
No Forest, Wilson conduziu, entre abril de 2023 e outubro de 2025, as chegadas do goleiro John (Botafogo), dos zagueiros Morato, Murillo (Corinthians), Jair (Botafogo) e do atacante Igor Jesus (Botafogo). Além deles, passaram por lá no período Carlos Miguel (hoje no Palmeiras), Cuiabano (hoje no Vasco), o já aposentado zagueiro Felipe e, por empréstimo, Douglas Luiz (da Juventus).
O interesse do Newcastle em William Gomes, de 20 anos, foi noticiado pelo As, da Espanha. Atualmente, o atacante está no Porto, pelo qual soma 13 gols e duas assistências em 40 partidas na temporada.
O jogador tem cláusula de rescisão fixada em 80 milhões de euros (R$ 471 milhões). O clube português teria indicado que só abriria conversas a partir de 50 milhões de euros (R$ 294 milhões), valor considerado mínimo para iniciar tratativas.
"Isso reforça que o Brasil continua sendo uma das principais vitrines de talentos do mundo. Esse movimento da Premier League mostra que o mercado europeu está cada vez mais atento à formação sul-americana", analisa Alexandre Frota, ex-presidente do Ceará Sporting Club e CEO da FutPro Expo, evento de negócios no futebol que acontecerá entre os dias 7 e 9 de maio, em Fortaleza.
Para Dado Cavalcanti, gestor técnico da Squadra Sports, plataforma multiclubes brasileira, isso tem origem em uma geração de jogadores mais preparada taticamente, pronta para dar um salto internacional.
"Esse movimento reforça que captar cedo, formar melhor e, principalmente, planejar a transição é o caminho mais sustentável para gerar valor esportivo e de mercado", afirma.
A ESPN indicou que o clube, com apoio do PCP Capital Partners, fundo estatal administrado pela Arábia Saudita, mira também potenciais talentos Sub-17 e Sub-20. Isso já chama a atenção de clubes que trabalham para a formação de talentos, como o Inter de Minas, parceiro do Flamengo.
"Essa procura dos ingleses reforça como o mercado internacional está cada vez mais atento ao potencial das categorias de base no Brasil. A Copinha é uma grande vitrine, mas o que realmente sustenta esse interesse é o trabalho diário de formação, com metodologia, acompanhamento e estrutura", afirma Thiago Gosling, presidente do Inter de Minas.
Clubes das Séries A e B também se atentam aos movimentos internacionais, olhando para o mercado como potencial gerador de receita. "No Internacional, entendemos a base como eixo estratégico do planejamento esportivo. Buscamos, além de revelar, estruturar processos, acompanhar o desenvolvimento e preparar o atleta para estar pronto quando a oportunidade surgir, seja no profissional do clube, seja no mercado nacional ou internacional", afirma Luiz Caldas Milano Junior, diretor geral das categorias de base do Internacional.
"Investir em jovens talentos com metodologia e acompanhamento profissional fortalece nosso clube e oferece oportunidades reais de trajetória esportiva e de vida. O Botafogo Academy é o nosso compromisso com esse futuro", comenta Adalberto Baptista, presidente do conselho de administração do Botafogo de Ribeirão Preto.
CLUBES MÉDIOS DA INGLATERRA TAMBÉM PASSARAM A TER BRASIL COMO ALVO
O Newcastle não é o único a olhar para talentos do Brasil. Isso virou uma prática comum por parte de times médios da Premier League. Nesta temporada, os negóciso mais recentes envolveram o atacante Rayan, que deixou o Vasco para o Bournemouth por 35 milhões de euros (R$ 218,5 milhões), e o atacante Alysson, ambos com apenas 19 anos, que saiu do Grêmio para o Aston Villa por 10 milhões de euros (R$ 62,4 milhões).
"O interesse do Newcastle demonstra que o futebol brasileiro amadureceu como ativo de investimento. Hoje, os clubes europeus não buscam apenas talento, mas também potencial de valorização e inteligência de mercado. Para os atletas e seus gestores, isso reforça a importância de planejamento de carreira, preparação emocional e estrutura jurídica adequada desde as categorias de base", analisa Cláudio Fiorito, CEO da P&P Sport Management no Brasil.
Na temporada passada, o Fluminense negociou o lateral-esquerdo Esquerdinha com o Queens Park Rangers. O também lateral Welington deixou o São Paulo para o Southampton. Ainda antes, o Wolverhampton contratou o volante André, do Fluminense, e o lateral-direito Pedro Lima, do Sport. Já o Brentford tirou o atacante Gustavo Nunes, do Grêmio, e o West Ham investiu no meia Luis Guilherme, do Palmeiras.
"São clubes que precisam de receitas extraordinárias e saldo positivo entre valores gastos com contratações e recebidos com transferências, dispostos a aguardar por mais tempo pela adaptação de um atleta e a investir um pouco mais também na sua adaptação", avalia Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil.