Senna, Pelé e Oscar: o que o 'Mão Santa' tinha em comum com outros ídolos brasileiros
Por Agência Estado
Publicado em 17/04/2026 20:01:19Oscar Schmidt acreditava que sua habilidade no basquete vinha de repetição e treinamento. Por isso, dizia que de santo não tinha nada. Ícone do esporte brasileiro, o ex-jogador morreu nesta sexta-feira, aos 68 anos, após uma parada cardiorrespiratória.
Em entrevista concedida ao Estadão em 2024, Schmidt apontou três características que o permitiram se tornar um ídolo do basquete e referência esportiva para diversas gerações: concentração, bom humor e emoção.
Uma dessas característica, disse ele, tinha em comum com outras duas referências do esporte nacional. Ayrton Senna e Pelé, tricampeões mundiais de Fórmula 1 e futebol, respectivamente, poderiam formar, junto com o Oscar, uma espécie de "santíssima trindade" do esporte nacional.
"O Pelé foi meu ídolo da vida toda. E adoro o Ayrton Senna. No domingo, eu parava tudo para ver o Senna correr. Um dia ele disse que falou com Deus. Eu pensei 'eu também falei com Deus'. A concentração é o que há de comum entre nós. Para falar com Deus tem de ser muito concentrado, porque não é qualquer papinho. Por isso, sei que falei com Deus. Eu fazia meus treinamentos concentrado, todos os dias da minha carreira, e parei de fazer isso quando fui para a Itália. Aí resolvi parar de falar com Deus", disse Oscar, que explicou as consequências de "parar de falar com Deus".
"Alguns jogos eu fui mal, mas fui me acostumando e melhorando. De repente, estava dominando o Campeonato Italiano", completou.
Oscar marcou sua carreira ao declinar de convites feitos pela NBA para continuar defendendo as cores nacionais. "Para mim, a seleção era a coisa mais importante que havia na minha vida. Por isso que falei não para a NBA."
Foi vestindo a camisa da seleção que Oscar viveu uma de suas maiores frustrações na carreira. Um erro na última chance do Brasil no jogo com a União Soviética nas quartas de final dos Jogos Olímpicos de 1988 transformou o jogador.
"Esse erro me fez ser uma pessoa pior. Eu já não acreditava mais na minha qualidade. Essa bola era decisiva para a gente ganhar a Olimpíada e custou o emprego do técnico Ari Vidal. Mandaram ele embora por telefone. O que eu mais sinto é por causa dessa demissão. Como se fosse fácil chegar em quinto em uma Olimpíada", comentou.
Oscar Schmidt descobriu um câncer no cérebro em 2011 e passou por vários tratamentos. Nesta sexta, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória e chegou ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana, em Santana de Parnaíba, sem vida.