Esportes

Compliance é mudança de cultura para captar investidores no esporte : 'Precisamos avançar'

Por Agência Estado

Publicado em 15/05/2026 19:52:09

As exigências por transparência, integridade e conformidade legal transformaram definitivamente a gestão esportiva nos últimos anos. Clubes, federações, ligas e entidades internacionais passaram a conviver com uma pressão crescente de patrocinadores, investidores e órgãos reguladores para adotar padrões mais rígidos de governança. E é em cima dessa linha que o compliance entra para mudar essa história.

Essa importante transformação foi alvo de debate na tarde desta sexta-feira, 15, no São Paulo Innovation Week (SPIW), festival de tecnologia e inovação realizado pelo Estadão, em parceria com a Base Eventos.

Para Andrei Kampf, jornalista que trabalha no esporte há 25 anos, e também criador do portal "Lei em Campo", essa batalha por mudanças está no início. No entanto, ele vê com otimismo a nova realidade que se apresenta.

"Temos avançado como civilização, apesar dos desafios. Estamos debatendo compliance no futebol em um evento como esse (o SPIW). Em 2018, quando comecei a trabalhar com conformidade, o esporte precisava desta transformação de gestão. É uma cultura que está mudando aos poucos. É uma questão moral. Você faz o certo porque é o certo e pode ser a chance de ganhar investidores porque as pessoas vão ver como você usa seu dinheiro", afirmou.

Fernando Monfardini, compliance officer do Atlético-MG, e autor do livro "Compliance no futebol", faz um trabalho árduo em busca dessa bandeira. Mudar uma prática de tanto tempo, em sua opinião, é o grande desafio. Cabe agora, arregaçar as mangas e mergulhar neste processo. "O conflito de interesses é um dos grandes resumos da estrutura do futebol brasileiro e isso foi naturalizado", declarou.

"Dizem que sempre foi assim. Mas está legal? Temos de mudar. E quando você começa a mudar, vêm os 'habilidosos' e nascem as fraudes. Esse perfil está ainda muito forte no futebol. Quando o cara vê que pode ir preso, aí ele vai mudando", completou Monfardini.

Também presente ao debate, Carlos Amodeo, presidente da SAF do Vasco desde 2024, e com mais de dez anos em gestão de clubes de futebol, sinalizou que o caminho da mudança não acontece de uma hora para outra. "Nós precisamos sim seguir em frente. Temos de ser os alicerces da boa governança e do compliance. É uma jornada que temos de seguir", afirmou Amodeo.

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