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Diretora da Conmebol fala sobre domínio brasileiro na Libertadores: “Não gosto”

Por Jogada10

Publicado em 28/02/2026 00:01:25
Diretora da Conmebol fala sobre domínio brasileiro na Libertadores: “Não gosto”

A diretora jurídica e secretária-geral adjunta da Conmebol, Montserrat Jiménez, fez um alerta contundente sobre o futuro do equilíbrio técnico na América do Sul. A fala ocorroeu durante o fórum Football Law Annual Review (FLAR), em Budapeste. Ao analisar a transformação estrutural do futebol brasileiro, a executiva destacou que o país está acelerando em um ritmo inalcançável para seus vizinhos continentais.

Citando dados do advogado Marcos Motta – advogado e vice-presidente do Flamengo, presente no painel -, Jiménez mencionou que a previsão é de que, até 2029, apenas um clube da Série A brasileira não seja SAF, o que colocará o país em uma rota de integração global agressiva.

“Isso significa que clubes brasileiros vão entrar em MCOs (redes multiclubes) a 500 km/h. Hoje já há diferença econômica do Brasil pra os outros nove países sul-americanos. E isso significa que o descolamento vai ser muito maior, por mais que a diretora jurídica diga “eu não gosto” e que adoraria poder dizer que esse não é o caminho para a América do Sul”, afirmou a diretora.

O domínio brasileiro é refletido nas estatísticas: nas últimas oito finais da Libertadores, apenas em 2018 não houve a presença de um clube do país, com recordes de títulos consecutivos desde 2019.

O desafio da Conmebol

Além do abismo econômico, a diretora manifestou preocupação com a ética e a origem dos capitais que sustentam essas redes multiclubes. Jiménez alertou que a indústria atual exige gastos tão elevados que abrem margem para dinheiros externos ao futebol, dificultando a fiscalização de origens ilícitas.

  • Fiscalização: A executiva mencionou a complexidade de monitorar investimentos que podem vir, inclusive, do narcotráfico.

  • Formação: Para a diretora, o modelo focado estritamente em rentabilidade pode aniquilar o investimento em categorias de base, já que o aproveitamento profissional de jovens é inferior a 1% e exige gastos milionários sem garantia de retorno imediato.

  • Função Social: Jiménez ressaltou que, ao priorizar o lucro, os clubes podem abandonar o papel social de tirar jovens das ruas e das drogas por meio da formação esportiva.

“Acho que há muito trabalho a ser feito. Porque se o Brasil se distanciar muito mais do que está hoje, vamos mesmo continuar tendo finais totalmente brasileiras. Ou vamos deixar o resto dos clubes para trás?”, finalizou a diretora da Conmebol.

Por fim, enquanto o Brasil avança no modelo empresarial, países como a Argentina mantêm uma resistência institucional às SAFs, priorizando a função social e a tradição dos clubes associativos.

Com disputas ainda na terceira fase, o sorteio da fase de grupos da Libertadores e da Sul-Americana ocorrerá no dia 19 de março, em Assunção. E sob a sombra dessa previsão de um domínio brasileiro cada vez mais absoluto.

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