Antes do amistoso da Seleção, J10 visita a cidade mais brasileira dos EUA
Por Jogada10
Publicado em 26/03/2026 07:14:13Poderia ser qualquer lugar no interior de Minas Gerais ou Goiás. Há até uma pitoresca estação de trem! Porém, trata-se de Framingham, cidade localizada a 35 quilômetros de Boston, Massachusetts. O Brasil tomou conta do local. Afinal, as bandeiras do país dividem o espaço com as dos Estados Unidos, e o português tornou-se a segunda língua. Quem se aventurar por lá, aliás, não precisa nem arranhar o inglês. Antes da Seleção entrar em campo, nesta quinta-feira (26), às 17h (horário de Brasília), no amistoso contra a França, em Foxborough, a equipe de reportagem do Jogada10 realizou um pit-stop na pujante colônia brasileira para ficar por dentro destas particularidades.
O centro, revitalizado, basicamente se resume a uma rua: a Concord Street. Ela está repleta de igrejas evangélicas, restaurantes, padarias, agências de viagens, lojas de artigos do Brasil e até um estabelecimento que auxilia o contribuinte a tirar documentos como passaporte, CPF e título eleitoral. Detalhe: a maioria dos estabelecimentos conta com os letreiros em português! Impossível, então, não se sentir em casa… Ainda mais com as comidas regionais e a hospitalidade incomparável da comunidade de imigrantes. O J10 atestou esta combinação em um pequeno restaurante que prepara marmitas. Um pudim de leite divino alegrou a manhã da reportagem e fez o deslocamento da última quarta-feira (25) valer a pena.
Empreendedorismo
Fundada em 1650, Framingham também é um ponto de partida para quem deseja começar uma nova vida no estrangeiro. A cidade é sinônimo de empreendedorismo. Os brasileiros entenderam rápido esta dinâmica e souberam aproveitar muito bem o custo convidativo do local para, em seguida, movimentar a economia. No “Br Takeout”, o lugar das deliciosas marmitas e raríssimo comércio com nome em inglês, Tamara Araújo destaca a facilidade na adaptação.
“Tenho quatro anos de Estados Unidos. Cheguei aqui mesmo. Depois, morei dois anos e meio na Carolina do Sul, lugar muito bom para ficar. Mas a oportunidade de crescimento está aqui. Você pode trabalhar e crescer rápido. A comunidade brasileira é muito grande e está sempre disposta a ajudar”, disse Tamara, cujos laços com os compatriotas são fortalecidos pela congregação em uma igreja evangélica, em Milford, sua atual residência.
“Parece que a gente não saiu de casa”
Auxiliar de Tamara, Felipe Laurêncio, entretanto, chegou na Terra do Tio Sam e logo se estabeleceu em Framingham. Além de celebrar uma década na cidade, o torcedor do Atlético-MG pode, agora, festejar a chance de ver a Seleção Brasileira ao vivo. Ele já está com o ingresso na mão para ir ao Gillette Stadium.
“Há 10 anos, vim por necessidade e pelo sonho americano. A comunidade brasileira é muito unida. Todos os comércios lembram o nosso país. Parece que a gente não saiu de casa. Sobre o amistoso, a expectativa é grande. Há muito tempo a Seleção não vem para cá. Então, vai ser 2 a 0, gols de Vini Júnior e Raphinha”, crava o alvinegro.
Dos 72.362 habitantes de Framingham, segundo estimativas de 2022, o número de brasileiros chegaria a 25 mil, ou seja, 34,5% da população. Hoje, porém, a estatística é contestada por conta das deportações em massa do governo norte-americano. Este cenário, aliás, deixou algumas pessoas abordadas pela reportagem inseguras para responder. O assunto domina as conversas entre a população brasileira.
“No passado, tinha muito mais brasileiros circulando por aqui. Houve uma queda nas vendas. Há dias em que o centro fica muito vazio. Desde 2025, muita gente evita colocar os pés na rua e fica isolada. Outros já foram embora”, lamentou um comerciante que preferiu não se identificar.
Siga nosso conteúdo nas redes sociais: Bluesky, Threads, Twitter, Instagram e Facebook.