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Brasileiros de Boston em contagem regressiva para ver a Seleção

Por Jogada10

Publicado em 26/03/2026 07:25:16
Brasileiros de Boston em contagem regressiva para ver a Seleção

Chegou o grande dia. Nesta quinta-feira (26), a pujante comunidade brasileira de Boston e arredores terá, enfim, a chance de acompanhar, in loco, a Seleção Brasileira contra a França, às 17h (horário de Brasília), no Gillette Stadium, em Foxborough. Nos Estados Unidos, desde terça-feira (24), o Jogada10 ouviu quem aguardava um evento deste porte, um amistoso com cara de final de Copa do Mundo. Antes de passar a palavra a eles, porém, a reportagem teve uma amostra do tamanho da imigração verde-amarela pelo olhar de uma outra nacionalidade, após desembarcar e pedir um carro para o hotel.

“Viajei o mundo inteiro, mas tenho uma vontade imensurável de conhecer o Brasil, pois meus vizinhos do bairro de South Boston são todos brasileiros. Sou apaixonado pela comida que eles fazem e pela forma com a qual vivem. Não vejo a hora de conhecer e interagir com ainda mais brasileiros”, colocou o motorista argelino.

Para começar, o J10 foi até Framingham, a cidade mais brasileira dos Estados Unidos. Depois, localizou imigrantes em outras áreas, como Waltham e Newton. Hora, portanto, de ouvir quem tem o “lugar de fala” sobre morar longe do país, mas perto de um número significativo de compatriotas, entre as milhares de histórias de pessoas.

Um anfitrião para os rivais da Seleção

Estudante de Finanças e Contabilidade na Bentley University, Rafael Feres Figueiredo, natural de São Paulo capital, chegou a Boston em 2023, com 21 anos, por influência da família. A irmã já estudava fora, na Califórnia. A mãe, que havia feito doutorado em Massachusetts, também foi outro argumento forte para mudar de vida, assim como a situação socioeconômica do país natal. O cenário estava, portanto, pronto para a decisão.

“Caí de paraquedas. Não tinha tantos critérios por uma escolha própria. Não havia muita perspectiva em termos de segurança pública e economia no Brasil e resolvi ir por influência familiar. Percebi, de cara, uma comunidade muito grande e atuante. Na minha faculdade e nos Estados Unidos, em geral, há uma associação, por exemplo, que ajuda os alunos brasileiros a organizarem eventos. Meus melhores amigos, em três anos, são brasileiros. Boston também é muito legal para fazer networking e manter contato com outros estudantes de distintas universidades”, ressaltou o jovem morador de Waltham.

Curiosamente, a seleção francesa, próxima adversária do Brasil, utilizará as dependências da faculdade onde Rafael estuda para montar a sua estrutura para a Copa do Mundo. Mas Boston vai muito além do esporte bretão e de suas peculiaridades.

“O que tem de eventos esportivos… Futebol, basquete, vôlei, futebol americano, hóquei no gelo, lacrosse e beisebol. Fui em vários. Impressiona qualquer pessoa de fora, principalmente quem está mais restrito ao futebol. A grade de programação é enorme, e os times são reconhecidos nacionalmente.

Por fim, com ingresso nas mãos, Rafael foge do estereótipo comum e da ingenuidade do otimista ao apostar em um placar para logo menos.

“Na visão de quem curte Copa do Mundo, haverá vontade de mostrar relevância, não necessariamente ganhar. Antes do resultado, vem o coletivo. No geral, eu diria que vai dar empate, o 1 a 1 sofrido. Um gol do Brasil, gerado por incentivo. E um gol para a França, porque os caras são absurdos, melhores do que a Seleção Brasileira e estão em um momento excelente de performance”, opinou.

Futebol vira fator de congregação

Consultor de Supply Chain, Filipe Santos chegou em janeiro de 2022, como expatriado da empresa e também escolheu Boston por fatores familiares. Afinal, a mulher com quem é casado já tinha convênio com uma universidade. Adaptados à outra realidade, os dois aguardam a chegada do primeiro filho.

“Boston é um dos melhores lugares em termos de qualidade de vida, segurança e educação nos Estados Unidos, principalmente para quem deseja formar uma família. Para quem gosta, as quatro estações do ano são bem definidas, com a possibilidade de inúmeras atividades ligadas à natureza fora da cidade. A comida não é muito boa. É um dos poucos pontos fracos”, detalhou o morador de Newton.

Filipe admite que, por conta da rotina, não tem muito contato com a comunidade brasileira… Até, no entanto, a bola rolar!

“Meu contato com brasileiros é bem restrito a pessoas do trabalho. Tenho mais proximidade com pessoas da comunidade da minha esposa (sul-coreanas). A exceção fica para quando tem jogo, principalmente às quartas-feiras de Copa Libertadores. Independentemente de quem esteja jogando, nos esbarramos em algum bar e trocamos uma ideia”, explicou.

CBF mirava dupla jornada em Boston

Em dezembro, antes de conhecer os três adversários na fase de grupos da Copa do Mundo e os locais dos jogos, no sorteio de Washington, a CBF vislumbrava dois jogos em Boston justamente pelo “fator local” proporcionado pela comunidade brasileira. A Fifa, porém, colocou a equipe  do técnico Carlo Ancelotti em Nova Jersey, Filadélfia e Miami contra Marrocos, Escócia e Haiti, respectivamente. À época, Rodrigo Caetano, coordenador executivo geral das Seleções, comentou sobre o assunto.

“São pontos importantes a questão da hotelaria, do centro de treinamento e a questão da menor distância a ser percorrida. Não vamos conseguir ter tudo o que a gente deseja, mas vamos eleger nossas prioridades para termos o maior número a nosso favor”, mencionou o dirigente.

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