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O que você precisa saber sobre o Iraque

Por Jogada10

Publicado em 29/03/2026 08:10:49
O que você precisa saber sobre o Iraque

O Iraque entra em campo, na madrugada da próxima quarta-feira (1º), à meia-noite, horário de Brasília, para o confronto mais importante dos últimos 40 anos. Afinal, os Leões da Mesopotâmia encaram a Bolívia no duelo decisivo na repescagem intercontinental, em Monterrey.

Inclusive, essa será a terceira oportunidade da seleção iraquiana de garantir sua vaga na América do Norte. Os Leões passaram por um ciclo de altos e baixos, tendo uma troca no comando técnico, duas chances de classificação desperdiçadas e um cenário complicado às vésperas da viagem para o México.

O ciclo dos Leões começou sob o comando do espanhol Jesus Casas. Nas Eliminatórias, a seleção avançou na segunda fase com 100% de aproveitamento, vencendo Indonésia, Vietnã e Filipinas. Já na Copa da Ásia, o Iraque se destacou ao interromper uma sequência invicta de 11 jogos do Japão e avançar na liderança do grupo. Porém, nas oitavas de final, os iraquianos acabaram sendo eliminados para a Jordânia em um dos jogos mais polêmicos da competição.

De volta as Eliminatórias, o Iraque reencontrou os jordanianos na terceira fase da qualificatória, que valia vaga direta na Copa. Porém, a seleção não conseguiu manter uma constância. Na Data Fifa, os Leões tiveram que correr para empatar o jogo contra o Kuwait. Depois, perderam, com dois gols no final do jogo, para a Palestina, de virada. O resultado deixou a vaga de bandeja para a Jordânia, que confirmou a classificação com uma rodada de antecedência, com a derrota iraquiana para a Coreia do Sul.

Troca no comando técnico

A campanha ruim causou a demissão de Casas, que vivia relação conturbada com a imprensa do país. Com uma Graham Arnold, a seleção teria uma nova chance na quarta fase. Em um grupo com a Arábia Saudita e Indonésia, os Leões venceram os Garudas. Porém, em uma partida muito fraca, ficaram no empate com os sauditas e perderam mais uma chance de classificação por conta dos gols marcados.

Mesmo com tantos vacilos, os iraquianos ainda tinha a chance da repescagem. No confronto contra os Emirados Árabes Unidos, empate fora de casa em 1 a 1. No jogo de volta em Basra, vitória dos Leões por 2 a 1, de virada, com gol aos 63 minutos do segundo tempo e vaga garantida no México. Por estar na 58ª posição do ranking da Fifa, o Iraque disputa apenas o confronto decisivo da repescagem.

Entretanto, a seleção passou por problemas para disputar o torneio. Por conta dos confilitos no Oriente Médio, a Federação Iraquiana até chegou a pedir o adiamento da repescagem. O espaço aéreo do país ficou fechado por cerca de 15 dias e Arnold ficou preso em Dubai, por exemplo. Para viajar ao México, os atletas que atuam no futebol local viajaram de ônibus até a Amã, na Jordânia, e lá embarcaram em um voo privado, fornecido pela Fifa. Com o elenco completo, os Leões terão cerca de dez dias para se preparar para o jogo decisivo. Além disso, a seleção não conta com o goleiro titular Jalal Hassan, lesionado.

O destaque

Apesar de já ter alguns jogadores vindos da diáspora, o grande nome da seleção iraquiana é Ayman Hussein. O atacante é conhecido por ter um grande faro  de gol e uma presença marcante dentro da área. Pelos Leões, são 32 gols marcados em 92 partidas, sendo o maior artilheiro da equipe em atividade.

Neste ciclo, Hussein se destacou na Copa da Ásia, na qual se destacou com seis gols marcados em apenas quatro jogos, sendo o vice-artilheiro da competição. Inclusive, o atacante marcou os dois gols da vitória contra o Japão e foi o pivô da polêmica eliminação para a Jordânia, quando recebeu o cartão vermelho após imitar a comemoração dos adversários. Nas Eliminatórias, o jogador balançou as redes oito vezes.

O comandante

Conhecido pelos seus trabalhos à frente da seleção da Austrália, Graham Arnold tenta disputar sua terceira Copa seguida, a segunda via repescagem. O treinador assumiu o Iraque em maio de 2025, o australiano chegou ao país com a missão de tentar salvar a campanha no time na terceira fase. Sem sucesso, o técnico ganhou mais uma chance na quarta fase, sem sucesso, e agora tenta cumprir sua missão no México.

O técnico tem um longo currículo no futebol australiano, seja como jogador ou treinador. Inclusive, em sua carreira como atacante, Arnold defendeu os Soceroos durante 12 anos, entre 1985 e 1997. Já no comando da seleção, o australiano comandou a seleção de seu país por um curto período após a Copa de 2006 e entre 2018 e 2024, com destaque para a campanha em 2022, quando chegou até as oitavas de final. Sua demissão veio após um começo ruim na terceira fase das Eliminatórias, mas não demorou muito para assumir seu novo cargo.

Retrospecto na Copa

O Iraque disputou apenas uma Copa, em 1986. Curiosamente, a participação iraquiana aconteceu no México, local em que pode garantir o seu retorno ao Mundial. Naquela ocasião, os Leões superaram Qatar, Jordânia, Emirados Árabes Unidos e Síria para ficar com a vaga. Já na competição, a seleção caiu no grupo dos anfitriões, que ainda tinha Paraguai e Bélgica, e foi eliminada sem somar nenhum ponto e marcar apenas um gol.

Depois disso, o Iraque chegou até a última fase das Eliminatórias Asiáticas em cinco ocasiões: 1994, 2002, 2014, 2018 e 2022, além de 2026. Porém, apenas na primeira passou perto de uma possível classificação, ficando dois pontos atrás da Coreia do Sul, que disputou a Copa do Mundo daquele ano.

Time-base

Fahad Talib; Hussein Ali, Zaid Tahseen, Akam Hashem e Merchas Doski; Ibrahim Bayesh, Ali Jasim, Aimar Sher e Amir Al-Ammari; Aymen Hussein e Mohanad Ali.

O país

O Iraque está localizado em uma das regiões mais importantes da humanidade, onde fica a antiga Mesopotâmia, entre os rios Eufrates e Tigre. O país tem 438.317 km² de área, 40.222.503 habitantes e sua capital é Bagdá. A atividade petrolífera domina a economia iraquiana.

O país possui uma trajetória política recente marcada por conflitos. Saddan Hussein governou o país em uma ditadura que durou 25 anos, até a invasão estadunidense, em 2003. Porém, o fato gerou a Guerra do Iraque, que traz reflexos aos iraquianos até hoje. As tropas norte-americanas ficaram no país até 2011, mas, em sequência, veio uma guerra-cívil, por conta da presença do grupo Estado Islâmico em seu território.

Celebridade

O grande nome iraquiano é Kadhim Al-Sahir. O cantor não é apenas um dos grandes nomes do país, mas uma das principais vozes da música árabe. Ele é conhecido como “O César” e já vendeu mais de 100 milhões de álbuns e possui um repertório com mais de 40 sucessos.

Além do talento musical, Al-Sahir também teve um destaque no viés político. O cantor teve sua carreira prejudicada pela Copa do Golfo e deixou o país. Porém, mesmo com a distância, ele não deixou de defender o povo iraquiano com suas letras durante o regime de Hussein e por pedidos de paz na época da invasão norte-americana. Em 2011, o cantor recebeu o título de embaixador da UNICEF.

O que esperar do Iraque

A seleção iraquiana passou por um ciclo de muita instabilidade. Com isso, apesar de ser favorita para o duelo contra a Bolívia, a equipe não passa tanta confiança. Quem se acostumou com um perfil retranqueiro de Graham Arnold, pode deixar essa impressão para trás, já que a equipe possui jogadores com uma característica bem ofensiva. Entretanto, os Leões precisam demonstrar mais vontade no jogo decisivo, algo que faltou nos fracassos anteriores ao longo das Eliminatórias.

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