Médico de Maradona alega inocência e rebate laudos periciais em julgamento
Por Jogada10
Publicado em 16/04/2026 23:41:17O neurocirurgião Leopoldo Luque quebrou o silêncio nesta quinta-feira (16) durante o reinício do julgamento que apura as responsabilidades pela morte de Diego Maradona. No Tribunal de San Isidro, na Argentina, o médico declarou-se inocente e adotou uma postura técnica agressiva para rebater a Promotoria-Geral. Luque utilizou artigos da União Europeia de Cardiologia para contestar a perícia oficial, que afirma que o ex-jogador teria falecido devido a uma descompensação agravada por falta de tratamento adequado.
A estratégia da defesa foca em desconstruir o conceito de “agonia” apresentado pelos peritos da acusação. Segundo o laudo da promotoria, o camisa 10 teria sofrido por horas sem o monitoramento devido antes do infarto fatal em novembro de 2020. Luque, no entanto, foi enfático ao declarar que os sinais clínicos não apontam para esse cenário.
“Estou completamente seguro de que não existiu a agonia”, afirmou o médico, que levou pastas com documentos e estudos clínicos para sustentar sua versão diante dos novos magistrados.
Risco de condenação e novos depoimentos no Caso Maradona
Leopoldo Luque é o nome de maior peso entre os sete profissionais de saúde que respondem por homicídio culposo. Além do neurocirurgião, o processo envolve a psiquiatra Agustina Cosachov, o psicólogo Carlos Diaz e outros quatro integrantes da equipe de enfermagem e coordenação. Caso o tribunal aceite a tese de que houve negligência grave na internação domiciliar após a cirurgia cerebral de Maradona, as penas podem chegar a 25 anos de reclusão.
O processo atual é um desdobramento direto da anulação ocorrida em maio de 2025. Na ocasião, o julgamento foi invalidado após a descoberta de que uma das juízas facilitou filmagens para um documentário, violando o sigilo e a imparcialidade da corte. Com o reinício das audiências nesta semana, a justiça argentina tenta dar uma resposta definitiva sobre o suposto abandono de incapaz sofrido pelo maior ídolo esportivo do país em seus últimos dias de vida.
Dessa forma, o Tribunal Oral Criminal nº 7 entra em uma fase de confrontação de provas científicas. Enquanto a acusação foca na precariedade da estrutura montada na residência de Maradona, a defesa de Luque tenta provar que a causa da morte foi uma fatalidade cardíaca imprevisível, e não fruto de omissão médica. O julgamento deve seguir com os depoimentos dos demais réus e a análise das mensagens trocadas entre a equipe médica no período da recuperação.
Por fim, o médico disse:
“Sou inocente, lamento muito sua morte.”
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