John Textor vive dia de “juízo final” no Botafogo
Por Jogada10
Publicado em 29/04/2026 07:52:50Dono das calçadas e poeta dos becos, Nelson Cavaquinho sentenciou: “É o juízo final. A história do bem e do mal. Quero ter olhos para ver a maldade desaparecer”. Cantada por jovens a plenos pulmões, a estrofe tornou-se um hino nas rodadas de samba do Rio de Janeiro. Dicotomias e maniqueísmos à parte, o título da canção, “Juízo final”, casa com um dos episódios mais importantes da renhida disputa societária pelo futebol do Botafogo. Afinal, nesta quarta-feira (29), o Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV) reavaliará se mantém John Textor afastado ou não da gestão da SAF alvinegra. Os juízes vão deliberar de forma online, sem horário para a divulgação.
Batido o martelo, não caberá mais recurso ao Godfather, pois a Justiça do Rio de Janeiro extinguiu o processo do controle da SAF e determinou que a decisão ficaria na Câmara de Mediação da FGV. Ou seja, um procedimento de natureza privada, autônoma, com poder de execução jurídica e de consenso das partes (Ares, Textor e Botafogo Social).
Abalo sísmico no Botafogo
Na semana passada, o mesmo tribunal provocou um abalo sísmico no Glorioso ao retirar Textor de forma imediata e provisória, com base em um histórico de atos controversos do big boss, como, por exemplo, a celebração de um acordo de compra e venda (SPA) que visava transferir a SAF do Botafogo para uma empresa em um paraíso fiscal, em janeiro de 2026. O empresário norte-americano assinou o contrato pelas três partes envolvidas na transação: a SAF, a Eagle Bidco (subsidiária inglesa sob administração judicial) e a Eagle Football Group (nas Ilhas Cayman).
Outro motivo para a “queda” de Textor foi o ajuizamento de um pedido de recuperação judicial sem deliberação em assembleia. Os árbitros entenderam que o ato configurou uma violação frontal das regras de governança, desobedecendo, assim, ordens expressas emitidas anteriormente pelo próprio tribunal. A medida, aliás, é a solução do magnata da Flórida a curto prazo para a insolvência da SAF, mergulhada em dívidas e em uma crise financeira sem precedentes.
Textor segue “participando” do Glorioso
A sentença que afastou Textor foi assinada pelos árbitros Adriana Braghetta, Alina de Miranda Valverde Terra e Lauro da Gama e Souza Júnior. A SAF contestou a decisão, e o big boss foi para cima da Ares, principal credora da Eagle, empresa que detém 90% do futebol alvinegro e com o empresário como sócio majoritário, embora afastado do poder – os 10% restantes da fatia estão nas mãos do associativo.
Enquanto Textor está fora e julgado por seus atos societários nesta trama complexa, quem tem o poder da caneta é o ex-presidente Durcésio Mello, nomeado pela SAF como diretor executivo interino, com, aliás, a anuência da Justiça. No fim de semana, o Godfather, que ainda não é carta fora do baralho, viajou para Brasília, onde, do Estádio Mané Garrincha, acompanhou o empate do Mais Tradicional com o Internacional por 2 a 2, pela rodada 13 desta edição do Campeonato Brasileiro.
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