Irmãs e advogado de Maradona vão a julgamento por suspeita de fraude; entenda
Por Jogada10
Publicado em 29/04/2026 10:57:36A gestão da marca de Diego Armando Maradona entrou em nova fase na Justiça argentina, agora voltada à exploração do nome do astro. Nessa terça-feira (28), um tribunal decidiu levar a julgamento duas irmãs do ex-jogador, seu advogado e outros três envolvidos por suposta “administração fraudulenta”. O caso corre separado das ações ligadas à morte do ídolo, em 2020.
Para Justiça, há indícios de que os envolvidos tenham “fraudado os interesses dos legítimos herdeiros de Maradona” — seus cinco filhos. A discussão, portanto, se organiza em torno de quem deveria conduzir a marca e os contratos vinculados a ela. Apesar do movimento, o debate acerca do tema não começou recentemente.
O próprio ídolo orientou, ainda em 2015, a criação de uma estrutura para proteger seu patrimônio de questões fiscais italianas. Assim, o advogado Matías Morla colocou essa ideia em prática ao criar a empresa “Sattvica S.A.”, responsável por administrar as marcas registradas. Ele dividia a direção com Maximiliano Pomargo.
A estrutura sustentou a gestão dos ativos de Diego enquanto o astro esteve vivo. A partir da morte do ídolo, em novembro de 2020, o controle da empresa mudou e passou a concentrar divergências.
O que diz a acusação?
Matías Morla, segundo a acusação, deixou a propriedade da empresa, mas não repassou o controle aos herdeiros. Em vez disso, transferiu ações para Rita e Claudia Maradona entre setembro de 2022 e agosto de 2023. As duas, junto a um tabelião, aparecem como suspeitos da suposta fraude.
Na leitura dos filhos, há um desvio na condução da marca nesse período. O foco recai sobre a exploração econômica dos direitos ligados ao nome do ex-jogador.
“Morla, zombando do sistema judiciário, explorou-as em benefício próprio até o final de 2021. Depois, as transferiu para as irmãs, que continuaram a explorá-las até 29 de dezembro do ano passado”, disse o advogado Félix Linfante, representante de Jana, filha do astro.
Ele também indicou o tamanho do ativo em disputa: uma avaliação oficial fixou o valor das marcas em cerca de 100 milhões de dólares. Diante disso, o tribunal determinou a interrupção da exploração enquanto o caso segue. A ação começou em 2021, quando Dalma e Gianinna, filhas do ex-jogador, formalizaram a acusação de apropriação indevida.
Julgamento da morte de Maradona
Simultaneamente, outro processo corre nos tribunais de San Isidro, a cerca de 30 quilômetros ao norte de Buenos Aires. A Justiça investiga a atuação de sete profissionais de saúde no período que antecedeu a morte do astro, aos 60 anos.
Diego Armando Maradona morreu, segundo consta, vítima de parada cardiorrespiratória e edema pulmonar, em uma residência alugada em Tigre. Ele se manteve nesse local por cerca de três semanas, enquanto se recuperava de uma neurocirurgia. Agora, o julgamento busca esclarecer as condições do atendimento domiciliar.
Nesse processo, Rita, uma das irmãs, também prestou depoimento como testemunha. “As filhas nos disseram que eram adultas e que assumiriam a responsabilidade por seu pai”, afirmou. Já Gianinna declarou anteriormente que concordou com esse modelo após recomendação da equipe médica.
Um julgamento anterior acabou arquivado em maio de 2025, depois que uma juíza se declarou impedida, acusada de gravar um documentário sobre o caso. O processo atual reúne 120 testemunhas e deve seguir até pelo menos a segunda quinzena de julho, com um oitavo réu previsto para julgamento separado.
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