Filha de Maradona presta novas declarações sobre suposto “plano” contra o pai
Por Jogada10
Publicado em 04/05/2026 10:19:23Gianinna Maradona afirmou, em entrevista concedida a jornalistas nesta semana, que a internação domiciliar de Diego Maradona foi resultado de um plano para manter o ex-jogador sob controle, mas que “saiu do controle”. Em paralelo às falas, ocorre o julgamento em San Isidro, norte de Buenos Aires, que apura as condições da morte do ídolo argentino, aos 60 anos.
A filha do astro disse que identificou uma estrutura organizada por trás das decisões tomadas após a neurocirurgia do ex-jogador. “Sei que havia um plano, certamente havia um plano. E sei que alguém o dirigia, mas certamente saiu do controle dele”, afirmou durante uma mesa redonda virtual com veículos de imprensa.
Ela direcionou críticas não apenas à equipe médica, que responde judicialmente, mas também ao entorno pessoal do pai. Gianinna incluiu o advogado Matías Morla, o ex-secretário Maximiliano Pomargo e a contadora Vanesa Morla entre os responsáveis e defendeu que eles também sejam indiciados neste processo — assim como já ocorre em outra ação por fraude envolvendo marcas do ex-jogador.
Ao detalhar sua percepção, ela levantou dúvidas sobre a atuação do advogado. “Não consigo pensar nisso (…) e dizer ‘o plano: queriam matá-lo’. Será que [o representante Matías] Morla queria ter a vida do meu pai nas mãos dele? Certamente. E ele fez”, declarou.
Maradona vítima de um “grupo de amadores”
O julgamento se concentra na equipe médica, acusada de homicídio com dolo eventual, sob argumento de que se tinha consciência de que as ações poderiam levar à morte do ex-jogador. Para a acusação, o astro se tornou vítima de um “grupo de amadores” que cometeu negligência criminosa. Pontua-se, ainda, que ele viveu sob uma “hospitalização cruel”.
Para Gianinna havia interesse econômico guiando parte das decisões dos acusados. “Tinha um plano de fundo (…) e alguém o dirigia. Todos tinham uma diretriz (instrução) e todos seguiam algo”, disse. Segundo ela, o objetivo era garantir controle sobre o ex-jogador para viabilizar assinaturas de contratos e a gestão de suas marcas.
Após a cirurgia por um hematoma subdural, em novembro de 2020, familiares, pessoas próximas e médicos discutiram formas de afastar o astro do álcool e de psicofármacos. Nesse contexto, a equipe liderada por Leopoldo Luque e Agustina Cosachov sugeriu a internação domiciliar ao invés da psiquiátrica.
“Não lhes convinha internar meu pai num hospital psiquiátrico, porque Morla teria muitos problemas. Pensavam o tempo todo na parte econômica, sem pensar na saúde do meu pai. Por isso, era (mantida) a internação domiciliar”, prosseguiu Gianinna.
Por que a família acatou?
Em seu relato, ela disse que os familiares acreditaram que, naquele momento, seria o melhor caminho. Gianinna atribuiu a Luque o papel central na condução desse processo de convencimento.
“Ele tinha que (…) nos convencer da internação domiciliar para não perder o controle. Além do que Luque queira impor hoje, de que não era médico dele, ele ali se responsabilizou. Tinha voz predominante, o médico de referência dele”, afirmou.
Durante o período em casa, Gianinna disse ter notado sinais físicos ignorados. “Ele estava inchado, e eu avisei que estava inchado. Explicaram-me que era normal, por estar deitado”, completou.
Ela também classificou como “repulsivos” e “assustadores” os áudios vazados de profissionais de saúde, nos quais, segundo relatou, discutiam formas de “se proteger legalmente”.
O julgamento, iniciado em abril em San Isidro, tenta esclarecer as circunstâncias da morte, ocorrida em 25 de novembro de 2020, após parada cardiorrespiratória e edema pulmonar. Sete profissionais de saúde podem ser condenados a até 25 anos de prisão, enquanto uma enfermeira será julgada separadamente por um júri.
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