Boto e Jardim relatam tensão durante Medellín x Flamengo
Por Jogada10
Publicado em 08/05/2026 14:45:04Técnico e diretor de futebol do Flamengo, Leonardo Jardim e José Boto, respectivamente, concederam entrevista coletiva nesta sexta-feira (8/5) no Hotel Hilton Porto Alegre, onde o clube se prepara para o jogo contra o Grêmio, domingo (10/5), na Arena da equipe gaúcha. O treinador foi o primeiro a falar, respondendo sobre a preparação para este duelo, mas também deu sua versão sobre os acontecimentos que cancelaram o jogo contra o Medellín (COL), na última quinta-feira (7/5), na Colômbia.
“Em relação ao que aconteceu ontem (quinta), eu acho que é uma situação que foi visível para todo o mundo: não havia segurança no estádio, de forma que os intervenientes do espetáculo e as pessoas também que estavam lá pudessem assistir de forma segura. E levou a que as pessoas, até me espanto, de demorarem tanto tempo (para sair), porque às vezes situações deste tipo, 45 minutos depois, o árbitro quando verifica que não existe condições logo acaba o jogo, então esta situação prolongou-se um pouco mais”, afirmou o comandante.
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Mudanças na programação do Flamengo?
Ele também falou sobre as mudanças na programação do Flamengo devido ao fato de não ter tido jogo contra o Medellín. Jardim lamentou o pouco tempo de descanso dos jogadores por conta da viagem “dupla” (de Medellín direto a Porto Alegre), afirmando que os jogadores dormiram pouco – e mal.
“Em termos da carga de treino, devido às condições que existiram ontem, não foi possível nem jogar nem treinar, porque se não havia segurança para o jogo, não havia segurança também para nós treinarmos. Demos seguimento àquilo que tínhamos preparado para esta dupla viagem, pois chegamos aqui em Porto Alegre e agora vamos treinar na parte da tarde com o grupo todo. Com certeza que não vamos ter que recuperar os jogadores fisicamente, porque não deverão ser sujeitos à carga física, mas em termos fisiológicos temos que ter alguma atenção, porque passamos uma noite quase sem dormir. Quatro ou cinco horas só que alguns atletas dormiram na viagem. E mal, como vocês sabem, dormir num avião não é a mesma coisa que dormir na cama. Mas vamos tentar hoje trabalhar, preparar-nos bem para amanhã. Com certeza toda a gente vai estar melhor”, avaliou.
José Boto detalha situação
Após as falas de Leonardo Jardim, o diretor José Boto também conversou com a imprensa, revelando novos detalhes acerca dos momentos de terror que a delegação rubro-negra passou no Atanásio Girardot. Ele salientou que a raiva da torcida da casa era contra a própria equipe, e não contra o Flamengo, mas que isso não impediu que os jogadores se assustassem.
“Eles nada tinha contra o Flamengo, mas estávamos ali no meio, não é (risos)? E eles começaram a arremessar aqueles sinalizadores, pedras, ferros. Não havia nenhuma condição de segurança, não sabíamos lá se ali tinha uma arma, uma faca, uma coisa qualquer e sentimos um pouco ameaçados, como é óbvio. Mas também nunca foi nossa intenção, nunca dissemos a ninguém que não queríamos jogar. Nós queríamos jogar, queríamos jogar em segurança”, iniciou.
Boto seguiu o relato, afirmando que o presidente do Medellín gostaria que o jogo continuasse, desde que o estádio fosse evacuado. O Flamengo, aliás, até gostaria de seguir jogando, mas apenas se houvesse segurança garantida para tal.
“O presidente do clube, que eu penso que é novo, queria evacuar o estádio e depois começar a jogar. E eu dizia-lhe: “Mas quando as pessoas virem da televisão que está a jogar, vai ser pior. Vão voltar todas mais raivosas, mais revoltadas e vai ser pior”. Mas era essa a insistência que ele tinha, juntamente com alguém do governo local, que queriam à força toda que o jogo se realizasse. Nós queríamos jogar, mas com segurança. E não havia realmente condições nenhumas de segurança. E o próprio presidente, passado um tempo, por isso demorou um pouco mais de tempo, veio dizer que de fato seria pior “se evacuarmos e voltarmos a jogar”, informou.
Bombas de gás lacrimogênio
Ele finalizou relembrando outras cenas de pavor, especialmente quando a polícia local começou a avançar rumo à torcida da casa, com direito a gás lacrimogênio. Após o jogo, o diretor relatara que os jogadores sentiram os efeitos, indo às lágrimas por conta das bombas.
“Nós limitamo-nos a acatar aquilo que a Conmebol disse, porque realmente não havia mesmo condições nenhumas para jogar. Nunca houve uma hostilidade contra o Flamengo, mas nós estávamos ali no meio. Houve a altura de dizer que os torcedores conseguiram entrar dentro dos tuneis do vestiário. São coisas que não são agradáveis, muita polícia, aquela polícia mais de Choque. Começaram a disparar aquelas granadas de gás do lacrimogênio. Portanto, não foi uma situação agradável para os nossos jogadores, nem para nós, embora a hostilidade não fosse contra nós”, finalizou.
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