Jogada10

Como chega o Catar para a Copa do Mundo

Por Jogada10

Publicado em 10/05/2026 07:38:09
Como chega o Catar para a Copa do Mundo

Depois de sediar a Copa do Mundo na última edição, o Catar volta ao torneio com uma novidade. Afinal, pela primeira vez em sua história, a seleção conquistou a classificação para o Mundial através das Eliminatórias. Entretanto, os Maroons tiveram um ciclo marcado por muita inconstância, troca de treinadores e, sem dúvidas, são um dos maiores beneficiados pelo aumento de vagas da competição.

Para manter o “legado da Copa” a seleção decidiu trazer um nome experiente para assumir o comando: Carlos Queiroz. Em sua estreia, que aconteceu apenas em junho de 2023, venceu a Jamaica em amistoso. Na sequência disputou a Copa Ouro, na qual começou perdendo para o Haiti, empatou com Honduras e, surpreendentemente, venceu o México, avançando para as quartas de final. Porém, no mata-mata, foi eliminada com goleada para o Panamá.

Na sequência da temporada, perdeu para o Quênia e empatou contra a Rússia. Depois, no torneio internacional da Jordânia, passou pelo Iraque nos pênaltis e sofreu uma nova goleada, desta vez do Irã, na decisão. Por outro lado, começou muito bem nas Eliminatórias, goleando o Afeganistão por 8 a 1 e vencendo a Índia, fora de casa. Porém, de forma surpreendente, Carlos Queiroz deixou o cargo, deixando a vaga com o espanhol Tintin Márquez, que trabalhava no país.

A troca aconteceu às vésperas da Copa da Ásia, que o Catar seria sede. Entretanto, as desconfianças ficaram para trás com 100% de aproveitamento na fase de grupos, vencendo Líbano, Tajiquistão e China. Nas oitavas se classificou de virada contra a Palestina. Porém nas quartas precisou dos pênaltis para passar pelo Uzbequistão, em um jogo marcado por polêmicas. Já na semifinal eliminou o Irã, novamente com uma virada. Por fim, na decisão, os Maroons conquistaram o bicampeonato em cima da Jordânia, com três gols de pênalti de Akram Afif.

A boa fase seguiu nas Eliminatórias, com três vitórias nos últimos quatro jogos na primeira fase. Porém, a sequência não foi das melhores. O Catar perdeu em casa para os Emirados Árabes Unidos e empatou com a Coreia do Norte. A primeira vitória veio apenas na terceira rodada, contra o Quirguistão. Entretanto, no jogo seguinte, sofreu uma nova goleada do Irã. A seleção ainda conseguiria bater o Uzbequistão, com um gol de Lucas Mendes nos acréscimos, mas a atuação já havia ficado abaixo do esperado. Por fim, a goleada de 5 a 0 para os Emirados escancarou o péssimo momento catari e a saída de Tintin Márquez.

Em seu lugar ficou o seu antigo auxiliar, Luis Garcia. Porém, a trajetória do espanhol já começou complicada, com eliminação na fase de grupos da Copa do Golfo, mesmo com os principais jogadores à disposição. Nas Eliminatórias, a seleção goleou a Coreia do Norte, mas perdeu para o Quirguistão, que custou o cargo de Garcia, abrindo espaço para Julen Lopetegui Todavia, a vitória pelo placar mínimo contra o Irã evitou a eliminação precoce e garantiu a vaga para a repescagem continental.

Para a decisão da vaga, os Maroons contaram com um grande auxílio da Confederação Asiática de Futebol. Afinal, essa fase das Eliminatórias deveria ser jogada em campo neutro, mas entidade marcou os confrontos no Catar. Em campo, os cataris estrearam com um empate sem gols contra Omã. Na última rodada, precisavam da vitória, e conseguiram em um jogo dramático contra os Emirados, triunfando por 2 a 1 e, apesar de todas as dificuldades, garantindo a vaga na Copa.

Apesar da classificação, o Catar seguia com dificuldades. O país sediou a Copa Árabe no final de 2025, e a seleção, novamente com seus principais jogadores, não venceu nenhuma partida, sendo eliminada na primeira fase. Para piorar a situação, os conflitos no Oriente Médio impediram que os Maroons realizassem amistosos na Data Fifa, impedindo os testes antes da convocação final. No momento, os cataris ocupam a 55ª posição do ranking da Fifa.

O destaque

Já no último Mundial, o nome de Akram Afif aparecia com destaque na seleção do Catar. Entretanto, após o último ciclo, o meia conseguiu ganhar ainda mais protagonismo dentro dos Maroons. Com a queda de rendimento de Almoez Ali, Afif se tornou o principal personagem do bicampeonato da Copa da Ásia, sendo melhor jogador e artilheiro da competição, e da classificação catari para o Mundial.

O jogador atuou basicamente em um clube na sua carreira. Depois de uma passagem pelo futebol europeu, onde defendeu Sevilla, Villarreal, Gijón e Eupen, da Bélgica, Afif retornou ao seu país para atuar no Al-Sadd, em 2015. O meia ainda está na equipe e renovou o seu vínculo sem prazo de fim, tendo um “contrato infinito”. Pela seleção, Afif atuou em 132 partidas, o terceiro com mais jogos na história, e marcou 41 gols, empatado na terceira posição da artilharia.

Comandante

Em meio a um cenário de várias adversidades, Julen Lopetegui decidiu aceitar o convite do Catar e retornar ao futebol de seleções. Sem dúvidas, seu maior feito foi conseguir a vaga no Mundial, mesmo com o ciclo conturbado. Entretanto, mesmo com um ano de trabalho, o espanhol não conseguiu fazer muitos testes e ter bons resultados. Até aqui, são 11 jogos, com vitórias apenas na estreia e contra os Emirados, três empates e seis derrotas.

Enfim, o treinador terá a oportunidade de trabalhar em uma Copa. Afinal, em 2018, se envolveu em uma polêmica, quando estava na Espanha. Na época, ele havia fechado com o Real Madrid para comandar os Merengues após o Mundial. Entretanto, a federação espanhola não gostou na história e o mandou embora às vésperas do torneio. O técnico também tem passagens por Rayo Vallecano, Porto, Sevilla, Wolverhampton e West Ham.

Campanhas em Copas

Antes de 2022, o Catar nunca tinha conseguido brigar por uma vaga no Mundial. Apesar de que, nas Eliminatórias de 2010, 2014 e 2018, a seleção avançou para a última fase, mas não ficou próxima das vagas para o torneio. Entretanto, a melhor campanha ocorreu em 2002, quando os Maroons ficaram a dois pontos da vaga na repescagem continental.

Como anfitriões, o Catar dividiu opiniões, já que não havia tanta expectativa pelo desempenho da seleção, mas não se esperava que fosse os Maroons fossem tão mal. Na estreia, derrota para o Equador. Na sequência, veio o primeiro gol, mas mais um resultado negativo, desta vez de 3 a 1 para Senegal. Por fim, mais um 2 a 0, agora para a Holanda, e o fim de participação.

Time-base

Barsham; Pedro Miguel, Al-Hassam, Lucas Mendes e Al-Brake; Madibo, Boudiaf, Edmilson e Afif; Almanai e Almoez Ali.

O país

O Catar é um dos países mais ricos do Oriente Médio, por conta das grandes reservas de petróleo e gás natural que há em seu território. O país tem uma área de 11.437 km², boa parte dele ocupada por deserto, uma população de 2.832.000 habitantes e sua capital é Doha.

Os cataris vivem em uma monarquia absolutista, com o reinado do emir Tamim bin Hamad Al Thani e tendo Mohammed bin Abdul Rahman Al Thani como primeiro-ministro.

Celebridades

Boa parte das pessoas conhecidas do Catar estão ligadas à Casa de Thani, que comanda o país. É o caso da sheika Mayassa bint Hamad bin Khalifa Al Thani, irmã do emir, que tem um forte trabalho com arte. Além da mãe de Tamim, a sheika Moza bint Nasser Al-Missned, influente na educação e no estilo.

Por outro lado, também temos o destaque de Ghanim Al Muftah. Ativo nas redes sociais, Al Muftah sofre com a síndrome de regressão caudal, que impede o desenvolvimento da parte inferior da coluna cervical. Mesmo com as dificuldades, ganhou visibilidade ao se tornar o empresário mais jovem da história do país, com apenas 15 anos. Em 2022, se tornou um dos embaixadores da Copa e participou da cerimônia de abertura. Atualmente, conta com mais de sete milhões de seguidores nas redes sociais.

O que esperar do Catar

Mesmo com a expectativa pelo legado do Mundial de 2022, as esperanças nos Maroons são baixas. Apesar do título da Copa da Ásia, o ciclo conturbado mostrou a dificuldade que o país ainda sofre no futebol e ainda deu brechas para adversários alegarem benefícios para a seleção. Com isso, o Catar chega com papel de coadjuvante no Mundial, podendo ficar para trás em seu grupo. Entretanto, com uma chave que conta com Canadá, Suíça e Bósnia, os cataris se permitem, apesar do mal momento, sonhar com uma possível surpresa, mas com grandes chances de não terem bons resultados.

Siga nosso conteúdo nas redes sociais: Bluesky, Threads, Twitter, Instagram e Facebook.

  • Mais sobre: