Como foi o Brasil na Copa do Mundo de 1962
Por Jogada10
Publicado em 26/05/2026 07:45:30Quatro anos depois da histórica conquista na Suécia, o Brasil repetiu a dose no Chile. Afinal, a Seleção, mesmo sem Pelé, contou com o brilho de Mané Garrincha e o restante dos jogadores para conquistar o seu segundo título da Copa do Mundo. Desde então, nenhuma seleção conseguiu repetir o feito brasileiro, com duas conquistas consecutivas do torneio.
Como conquistou o título em 58, a Seleção não precisou participar das Eliminatórias. Com isso, o Brasil disputou as duas edições do Sul-Americano em 1959. Na primeira, com o time principal, vice-campeonato, atrás apenas da Argentina. No segundo, com jogadores dos clubes do Recife, terminou na terceira colocação.
Mais uma vez, a Seleção iniciou sua preparação com dois meses de antecedência para a Copa. Aymoré Moreira, irmão de Zezé Moreira, técnico do Brasil em 54, veio no lugar de Vicente Feola, que deixou o cargo por problemas de saúde. A preparação começou com 41 atletas em Campos do Jordão, seguindo para Nova Friburgo. Após os treinamentos, houve o corte e foi definida a lista final com 22 jogadores.
No elenco, havia diversos jogadores experientes, com uma média de idade de 27 anos, a mais alta em participações no torneio. Castilho e Nilton Santos, por exemplo, iriam para a sua quarta Copa. Já Nilton Santos, o zagueiro Mauro e meia Didi disputaria o terceiro Mundial. Além deles, Zagallo, Bellini, Gilmar, Vavá, Zózimo, Zito, Pepe e Garrincha eram remanescentes da conquista na Suécia. Por conta disso, houve críticas pela falta de renovação do time. Lêonidas da Silva defendeu que Mané não deveria ser convocado, gerando um conflito com o cronista Nelson Rodrigues.
Antes da viagem, a Seleção fez alguns amistosos. No feriado de Tiradentes, goleada de 6 a 0 para cima de Paraguai, em um Maracanã com mais de 100 mil pessoas. Três dias depois, no Pacaembu, novo encontro contra a Albirroja, e mais uma vitória elástica, desta vez por 4 a 0. Já em maio, a adversária era Portugal, com vitórias por 2 a 1 e 1 a 0, em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente. Depois de mais um período de treino no estádio das Laranjeiras, o Brasil embarcou para o Chile no dia 20 de maio.
Fase de grupos
Pela terceira vez em Copas, o Brasil estreou na competição contra o México. Mais uma vez, boa atuação e vitória com gols no segundo tempo. Pelé cruzou para Zagallo, que abriu o marcador aos onze minutos. Depois, o Rei fez boa jogada invidual e fechou o placar.
Na segunda rodada, um jogo duro contra a Tchecoslováquia e uma preocupação. Aos 28 minutos da primeira etapa, Pelé arriscou um chute com a perna esquerda e sentiu uma lesão. O craque sofreu um estiramento na virilha e teve que deixar o gramado, ficando de fora do restante do Mundial. Em campo, muita tensão e um empate sem gols.
Para a vaga do Rei, Moreira escolheu Amarildo. O Brasil teria o duelo direto contra a Espanha precisando da vitória para se classificar sem depender de outro resultado. A Fúria não contava com o craque Dí Stefano, mas tinha o naturalizado Ferenc Puskás à disposição. Na partida, a Seleção tinha muitas dificuldades e os espanhóis tinham mais oportunidades. Aos 35 minutos, Puskás saiu da área e puxou toda a marcação consigo, deixando o caminho livre para Abelardo Rodríguez abrir o marcador.
No começo da segunda etapa, veio o lance mais polêmico da Copa. Nilton Santos derrubou Enrique Collar na área. Porém, o lateral brasileiro deu um passo para a frente e o árbitro foi na dele, marcando a falta fora da área. Para piorar, na cobrança, Peiró marcou de bicleta, mas a arbitragem anulou por jogo perigoso, para reclamação espanhola.
Isso bastou para o Brasil acordar na partida. Aos 25 minutos, Zito roubou bola no meio de campo, tocou para Vavá, que deu passe para Zagallo cruzar rasteiro e Amarildo aparecer na área e empatar o jogo. Treze minutos depois, Garrincha fez boa jogada individual e cruzou na cabeça de Amarildo, que cabeceou firme para virar o jogo e garantir a classificação brasileira.
A estrela de Mané
Nas quartas de final, o Brasil teria a Inglaterra pela frente. Nesta partida, começou a brilhar a estrela daquele que viria a ser o craque da Copa. Aos 31 minutos, Zagallo cobrou escateio e Garrincha cabeceou para marcar. Oito minutos depois, os ingleses empataram, com Hitchens aproveitando rebote da cabeçada na trave de Greaves. A primeira etapa ainda ficou marcada pela invasão de um cachorro, que driblou todo mundo, inclusive Garrincha, e ficou no gramado por cerca de dois minutos.
Na segunda etapa, o Brasil não demorou para ficar à frente novamente. Garrincha cobrou falta, Springett não segurou e Vavá aproveitou para fazer o segundo. Depois, Garrincha recebeu de Amarildo e fechou o marcador. A imprensa internacional se derreteu aos pés do Mané, que adotou o cachorrinho que invadiu o gramado e foi comparado com um encantador de serpentes.
Na semifinal, os adversários eram os donos da casa, sem ter muita dificuldade. Logo aos nove minutos, Garrincha recebeu de Vavá e fez o primeiro. Depois, Zagallo cobrou escanteio para Mané ampliar. Os chilenos ainda descontaram com Toro, cobrando falta. Entretanto, logo no começo do segundo tempo, Garrincha cobrou escanteio e Vavá marcou o terceiro. Novamente, o Chile descontou, desta vez com Sánchez, de pênati. Porém, Zagallo cruzou e Vavá apareceu para fechar o marcador e sacramentar a classificação brasileira.
A decisão
Para encarar a Tchecoslováquia na final, o Brasil quase teve um grande desfalaque. Afinal, Garrincha havia sido expulso na partida contra o Chile. Porém, os cartolas conseguiram tirar a expulsão da súmula, já que não havia cartões na época. Com isso, Mané estava liberado para a decisão, mesmo com uma febre de 38 graus no dia da partida.
Entretanto, no começo do jogo, um susto. Masopust recebeu de Pospíchal e abriu o marcador, aos 15 minutos. Porém, três minutos depois, Zagallo fez boa jogada pela esquerda e tocou para Amarildo empatar. Ainda na primeira etapa, o Velho Lobo pediu pênalti após cair na área, sem ser atendido pela arbitragem.
No segundo tempo, a Seleção voltou melhor e buscou a virada. Aos 24 minutos, Zózimo recuperou bola no meio e tocou para Zito, que acionou Amarildo e seguiu avançando, recebendo lançamento e marcando o segundo. Depois, a Tchecoslováquia pediu pênalti, após alegar que Djalma Santos bloqueou com o braço a cabeçada de Josef Jelínek. No entanto, os tchecos contaram com um vacilo do goleiro Viliam Schrojf, que se atrapalhou por conta do sol e deu a bola de graça para Vavá marcar o terceiro.
Fim de jogo, festa em Santiago e mais um título brasileiro. Garrincha, que terminaria como um dos artilheiros e melhor jogador da competição, deu o nome de “Bi” ao cachorro que havia adotado nas quartas de final. Na chegada ao Brasil, a delegação foi recebida pelo presidente João Goulart, comemorando o título na recém-inaugurada capital, Brasília.
Jogadores convocados
Goleiros:
Castilho – Fluminense
Gilmar – Corinthians
Laterais:
Djalma Santos – Portuguesa
Nilton Santos – Botafogo
Jair Marinho – Fluminense
Altair – Fluminense
Zagueiros:
Bellini – Vasco
Zózimo – Bangu
Jurandir – São Paulo
Mauro Ramos – Santos
Meias:
Zequinha – Palmeiras
Didi – Botafogo
Mengálvio – Santos
Zito – Santos
Atacantes:
Pelé – Santos
Zagallo – Botafogo
Garrincha – Botafogo
Vavá – Palmeiras
Jair da Costa – Portuguesa
Coutinho – Santos
Amarildo – Botafogo
Pepe – Santos
Ficha técnica
Campeão: Brasil
Vice-campeã: Tchecoslováquia
Final: Brasil 5 x 2 Suécia
Artilheiros: Garrincha (Brasil), Vavá (Brasil), Dražan Jerković (Iugoslávia), Leonel Sánchez (Chile), Valetin Ivanov (União Soviética) e Florián Albert (Hungria) – quatro gols
Colocação do Brasil: 1º lugar
Resultados do Brasil: Brasil 2 x 0 México | Brasil 0 x 0 Tchecoslováquia | Brasil 2 x 1 Espanha | Brasil 3 x 1 Inglaterra | Brasil 4 x 2 Chile | Brasil 3 x 1 Tchecoslováquia
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