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Em meio a polêmicas com Trump, 40% da seleção dos EUA é filho de imigrantes

Por Jogada10

Publicado em 12/06/2026 10:04:10
USA's forward #20 Folarin Balogun celebrates scoring his team's first goal with teammates during the Conmebol 2024 Copa America tournament group C football match between Panama and USA at Mercedes Benz Stadium in Atlanta, Georgia, on June 27, 2024. (Photo by EDUARDO MUNOZ / AFP) (Photo by EDUARDO MUNOZ/AFP via Getty Images)

Um dos principais assuntos às vésperas da Copa do Mundo de 2026 foi a rígida política de vistos dos Estados Unidos, que é a sede que receberá mais jogos da competição. Vetos, restrições à delegação do Irã e extradições tomaram o noticiário recente e evitaram que torcedores e até um árbitro escalado pela Fifa pisassem no país. Mas a própria seleção norte-americana é um exemplo de que imigrantes africanos e latino-americanos fazem parte da base da construção do esporte.

Afinal, ao menos nove jogadores entre os 26 da lista final do técnico Mauricio Pochettino (cerca de 40%) têm pais que não nasceram nos Estados Unidos. Alguns deles, inclusive, visitam sua terra-natal com frequência. Como é o caso, aliás, do atacante Ricardo Pepi, do PSV-HOL, originário de Juarez, fronteira mexicana com o Texas. Já outros, como Tim Weah, têm o futebol no DNA, já que seu pai, George, saiu da Libéria para virar atacante do Milan e ser eleito o melhor jogador do mundo em 1995.

E há o caso de Alejandro Zendejas, que é mexicano e, apesar de ter passado pelas categorias de base da MLS, chegou a aceitar uma convocação de seu país de origem na preparação para as Olimpíadas de Tóquio. Com isso, causou polêmica, e a discussão foi parar na Fifa. Com o histórico nos EUA, Zendejas decidiu se naturalizar, abrindo mão do México e passou a defender o novo país. No entanto, joga pelo América-MEX desde 2022.

Jogadores norte-americanos na Copa com pais imigrantes:

Tyler Adams (Bournemouth-ING) – origem africana desconhecida
Tim Weah (Olympique de Marselha-FRA) – pai nascido na Libéria
Folarin Balogun (Monaco-FRA) – pais nigerianos que emigraram para o Reino Unido e, depois, Estados Unidos
Haji Wright (Coventry City-ING) – pai de Gana e mãe da Libéria
Mark McKenzie (Toulouse-FRA) – família oriunda da Jamaica
Sergiño Dest (PSV-HOL) – pai do Suriname, que emigrou criança pros EUA e foi militar
Cristian Roldan (Seattle Sounders-EUA) – pai da Guatemala e mãe de El Salvador
Alex Zendejas (América-MEX) – nasceu no México e se naturalizou
Ricardo Pepi (PSV-HOL) – pais mexicanos

Críticas ao racismo nos EUA

Os atletas não fazem críticas públicas ao tratamento do Governo aos casos dos vistos. Porém, alguns deles já se manifestaram quanto as questões raciais, como o meio-campista Weston McKennie, da Juventus-ITA, que participou ativamente do movimento “Black Lives Matter”, em 2020, após o assassinato de George Floyd pela polícia, por asfixiamento, em uma rua de Minneapolis, no Estado de Minnesota.

“Em Dallas, minha cidade, tenho medo de dirigir à noite, só porque não sei o que acontecerá se eu for parado. Eu represento um país que possivelmente nem me aceita só pela cor da minha pele. É doloroso (…). Pessoas falam que não devo fazer declarações públicas, mas não vou me calar e só driblar”, disse, à época.

O jornal The Washington Post já associou o tema da imigração ao “soccer” em algumas ocasiões, reforçando que, cada vez mais, o futebol deixa de ser um esporte apenas de homens brancos, e 100% nativos americanos. Dessa forma, se aproxima da miscigenação que o basquete, por exemplo, sempre garantiu.

“Não é segredo que afro-americanos são mais próximos ao basquete, futebol americano, beisebol ou outros esportes. Era raro ver uma criança afro-americana jogando futebol. Agora, é incrível como muitas parecem dizer ‘acho que esse é um esporte que eu posso me apaixonar'”, publicou Steven Goff, colunista do NYT.

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