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Há quase três décadas acompanhando o Brasil, repórter japonesa mantém fé no hexa

Por Jogada10

Publicado em 18/06/2026 07:06:54
Há quase três décadas acompanhando o Brasil, repórter japonesa mantém fé no hexa

Poucos profissionais acompanham a Seleção Brasileira há tanto tempo quanto a jornalista japonesa Kiyomi Fujiwara. Presença constante nas coberturas do Brasil desde a Copa do Mundo de 1998, ela viu de perto o vice-campeonato na França, a conquista do pentacampeonato no Japão, em 2002, e todas as campanhas seguintes que prolongaram o jejum brasileiro em Mundiais.

A ligação com a Seleção começou justamente por causa de um dos maiores ídolos do futebol japonês: Zico. Coordenador técnico do Brasil em 1998, o ex-camisa 10 despertou o interesse da então jovem repórter, que enxergou na equipe uma oportunidade de aproximar o público japonês do futebol brasileiro.

“Minha primeira cobertura da Seleção Brasileira foi na Copa de 1998. Eu estava começando a trabalhar com futebol e o Zico tinha assumido como coordenador técnico. No Japão, ele é tratado como um Deus do futebol. Vi ali uma grande oportunidade e criei um projeto para acompanhar a Seleção com o Zico, desde os três meses de preparação até o fim da Copa”, relembrou, em entrevista ao J10.

“Achei que três meses seriam muito tempo, mas passaram rapidamente. Não fiquei satisfeita e quis morar no Brasil para entender melhor o que representa a Seleção Brasileira. Muitas vezes, o Zico era uma pessoa no Japão e outra quando estava cercado por brasileiros. Eu queria conhecer esse outro lado. Comecei a pensar nisso e me mudei para o Brasil em 2001. Estou aqui até hoje”, completou.

Do penta ao jejum de 24 anos do Brasil

Kiyomi admite que iniciou sua trajetória em um momento privilegiado da história recente da Seleção. Depois do vice-campeonato em 1998, ela viu o Brasil conquistar o pentacampeonato justamente em seu país natal.

“Comecei bem demais. O Brasil não venceu em 1998, mas chegou à final. Depois, em 2002, foi campeão no Japão, meu país. Isso facilitou muito o meu trabalho. Várias emissoras me procuravam para programas especiais e regulares, e muitos japoneses, mesmo sem torcer pelo Brasil, sabiam a escalação da Seleção”, disse Kyiomi

Com o passar dos anos, porém, vieram as decepções. Contudo, mesmo reconhecendo que o futebol já não ocupa o mesmo espaço absoluto de décadas atrás, ela acredita que a relação do brasileiro com a Seleção continua forte.

“Havia muita expectativa em 2006 e eu chorei. Em 2010 também. Ainda mais porque Dunga comandava a equipe ao lado do Jorginho, uma dupla que muitos japoneses admiravam. O povo brasileiro não é exatamente igual ao que vi em 1998. Hoje existem muitas outras opções de lazer, mas na Copa do Mundo todos se unem para torcer, às vezes para criticar também. O significado do futebol para o brasileiro não mudou. Quero continuar acreditando nisso”, contou.

A jornalista também percebe uma queda no apelo internacional da Seleção no Japão, principalmente pela ausência de jogadores com o mesmo impacto midiático de gerações anteriores.

“Antigamente, crianças e idosos conheciam o Ronaldo. Hoje muitos atletas jogam na Europa e são menos populares no Japão. Ainda existe carinho pela Seleção Brasileira, mas não é como antes”.

Confiança em Ancelotti e no crescimento durante a Copa

Sobre a atual equipe comandada por Carlo Ancelotti, Kiyomi entende que a falta de tempo de trabalho é o principal obstáculo para o Brasil na busca pelo hexacampeonato.

“O Brasil tem tudo para conquistar o hexa. A única coisa que faltava, e ainda falta, é tempo. Em um torneio como a Copa do Mundo, é preciso ajustar detalhes a cada partida. Talvez não seja fácil para os jogadores nem para o Ancelotti. Muitas vezes, um time melhora jogando. Ajustando e aprimorando alguns aspectos, isso pode acontecer durante a Copa”, analisou.

A jornalista também demonstrou respeito pelo Haiti, adversário desta sexta-feira.

“Muitos japoneses falam que não dá para encarar o Haiti com facilidade. Eles fizeram um bom primeiro jogo. Outros acreditam que o Brasil pode vencer por 3 a 0. Existe muita expectativa, mas acho que a equipe vai melhorar a cada partida”.

Neymar segue mobilizando o Japão

A possível volta de Neymar aos gramados também desperta interesse do outro lado do mundo. Segundo Kiyomi, o camisa 10 continua sendo o principal assunto quando o tema é Seleção Brasileira.

“Até recentemente, a maioria das perguntas que recebi em programas de televisão e entrevistas era sobre o Neymar. Queriam saber apenas se ele vai jogar. Não é porque voltou ao campo agora que já vai enfrentar o Haiti e marcar três gols. Isso não acontece dessa forma. Mas todo o esforço que ele fez será recompensado. O Neymar vai causar medo aos adversários e alegria aos brasileiros e aos torcedores do mundo inteiro”, disse

Kiyomi ainda comparou a situação do camisa 10 com a recuperação de outros craques brasileiros em Copas passadas.

“A Copa do Mundo muitas vezes proporciona histórias especiais. Não é um milagre, porque o Neymar está se dedicando muito. O Ronaldo fez isso em 2002, o Rivaldo também superou problemas físicos. O Neymar vai fazer de tudo para viver algo parecido, marcar gols, dar assistências e corresponder à expectativa das pessoas”, contou.

“Sou japonesa, mas torço pelo Brasil”

Questionada sobre a possibilidade de um confronto entre Brasil e Japão nas fases eliminatórias, Kiyomi não escondeu sua preferência.

“O ideal seria que esse jogo acontecesse mais para frente, em uma semifinal, por exemplo. Sou japonesa, mas, pela minha trajetória de vida e pela profissão, estou torcendo para que o Brasil vença. O Japão jogou muito bem, mas quero continuar dizendo que quem ganha é o Brasil”.

Para a partida diante do Haiti, a jornalista aposta em uma vitória por 2 a 0 e acredita que um gol de Endrick poderia aliviar a pressão sobre o jovem atacante.

“Se o Endrick marcar um gol, pode mudar o clima. Muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre ele, mas isso ajudaria a diminuir a pressão. Gosto muito do Matheus Cunha. Então vou ficar com 2 a 0.Está perfeito”, finalizou.

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