Poliglota e curioso: como Matheus Cunha transformou inteligência em diferencial na Seleção
Por Jogada10
Publicado em 01/07/2026 13:44:34Nem sempre a inteligência de um jogador aparece em um passe decisivo ou em um gol. No caso de Matheus Cunha, ela também se revela nas conversas de vestiário, na facilidade para se adaptar a novos países e na habilidade de transitar entre diferentes culturas. Aos 27 anos, o atacante da Seleção Brasileira consolidou uma característica rara entre atletas de elite. Afinal, é um dos maiores poliglotas do futebol brasileiro e transformou esse talento em uma ferramenta para crescer profissionalmente.
Além do português, Cunha fala fluentemente inglês, espanhol, francês, alemão e italiano. O repertório linguístico o coloca entre os jogadores mais preparados da Seleção para se comunicar com Carlo Ancelotti. Hoje, poucos atletas conseguem conversar com o comandante italiano em praticamente qualquer idioma que ele utiliza no dia a dia.
Carreira de Matheus Cunha ajudou no desenvolvimento
A facilidade com idiomas, no entanto, não surgiu por acaso. Ela acompanha uma trajetória construída longe do Brasil desde muito cedo. Ainda adolescente, Matheus Cunha deixou o país para defender o Sion, da Suíça. Depois passou por RB Leipzig e Hertha Berlim, na Alemanha, Atlético de Madrid, na Espanha, e seguiu a carreira na Wolverhampton, da Inglaterra. Cada mudança exigiu mais do que adaptação tática. Significou aprender novos costumes, entender diferentes culturas e desenvolver uma nova língua.
O próprio atacante já explicou que seu método nunca foi baseado em livros ou cursos tradicionais. Para ele, aprender sempre foi consequência da convivência.
“Meu método é viver. Conversar, errar e aprender na prática.”
A declaração, dada ao jornal britânico The Guardian, resume bem a personalidade curiosa do atacante, que costuma ser descrito por pessoas próximas como alguém que faz perguntas, observa o ambiente e procura compreender o contexto em que está inserido.
Essa curiosidade apareceu ainda nos primeiros anos da carreira na Europa. Em entrevista ao “Uol”, Cunha contou que chegou à Suíça sem falar francês e precisou aprender o idioma rapidamente para conseguir se comunicar no clube. Com o tempo, vieram também o alemão, o espanhol, o inglês e o italiano.
“Hoje eu enrolo alemão, francês, espanhol e inglês, mas no começo do Sion eu não falava nada”, relembrou.
Facilidade de aprender desde pequeno
A facilidade para aprender idiomas também chamou atenção nas categorias de base da Seleção. Durante o Pré-Olímpico de 2020, por exemplo, Matheus Cunha concedeu entrevistas em espanhol para jornalistas colombianos logo após as partidas, surpreendendo até profissionais estrangeiros pela fluência. À época, ele já estava sendo tratado como um dos atletas mais preparados do grupo fora das quatro linhas.
Mas a inteligência do atacante vai além da linguagem. Técnicos que trabalharam com ele destacam a facilidade para compreender diferentes funções táticas. Ao longo da carreira, Cunha atuou como centroavante, segundo atacante, meia ofensivo e até mais recuado na construção das jogadas. Característica que explica por que costuma ser uma das opções mais versáteis de seus treinadores.
Aliás, na Copa do Mundo, essa flexibilidade voltou a aparecer. Mesmo não sendo titular desde o início do Mundial, o atacante desempenhou diferentes papéis conforme as necessidades da equipe de Carlo Ancelotti. Contra o Japão, por exemplo, iniciou a partida centralizado, mas chegou a atuar mais distante da área conforme a dinâmica do jogo mudou.
Em campo, essa inteligência aparece na leitura dos espaços e na versatilidade. Fora dele, surge em seis idiomas, na capacidade de adaptação e na naturalidade com que transita entre diferentes ambientes. Um conjunto de características que ajuda a explicar por que Matheus Cunha é visto, dentro da Seleção Brasileira, como um atleta acima da média muito antes de a bola começar a rolar.
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