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Copa do Mundo. Dias 31, 32, 33 e 34. Brasil importa o Catenaccio

Por Jogada10

Publicado em 06/07/2026 21:45:22
Copa do Mundo. Dias 31, 32, 33 e 34. Brasil importa o Catenaccio

O Brasil vai aumentando o número de seleções europeias de segundo escalão que se aproveitaram da crise do antigo país do futebol para avançar na Copa do Mundo. Em 2018, a Bélgica inaugurou a série com outro 2 a 1, nas quartas de final do Mundial da Rússia. Naquela época, o principal jornal estamparia a manchete “Pecou”. O dono do diário esportivo, porém, ligou para a redação e ordenou a troca para “Pecamos”, pois queria inserir o pasquim naquele momento de prantos, tristeza e frustração. Este era o principal recado que o empresário fez chegar às bancas. Apesar da queda precoce, a linha editorial manteve-se favorável à continuação do trabalho de Tite. Ou seja, não havia tantas incertezas, e pouca gente pedia a cabeça do treinador.

Em 2022, na pós-pandemia, não havia mais papel para ajudar na peixaria do dia seguinte ou nas reformas de apartamentos. No Qatar, a Croácia, na mesma fase, mas nos pênaltis, assumiu o papel da algoz, tirou o Brasil da Copa do Mundo, sepultou o trabalho de Tite e reforçou o apelo por um treinador estrangeiro. A opinião pública, na época, havia sentenciado a falência dos técnicos brasileiros. No entanto, a CBF, com suas inúmeras crises políticas e administrativas, não conseguiria contratar um nome da primeira prateleira da noite para o dia. Assim, Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior se revezaram no cargo antes da chegada de Carlo Ancelotti, ex-Real Madrid, no fim de maio de 2025. As mudanças tumultuaram o ciclo de 2026, o pior da história.

Mister tinha um plano…

Ancelotti, inicialmente refém das circunstâncias alheias, não conseguiu formar um time e manter um esquema tático. Para piorar, encarnou o típico político do Centrão ao se escorar na convocação de um lesionado Neymar para evitar a queda de popularidade antes da viagem aos Estados Unidos. No domingo (5), em Nova Jersey, na derrota para a Noruega por 2 a 1, o treinador italiano passou a pior impressão possível ao terminar a jornada no Mundial com 35% de posse de bola, a menor que o país já registrou na competição. Em 2002, na final, a Seleção venceu a Alemanha com número inferior. Se o Brasil tivesse superado os nórdicos, como teve três ou quatro chances claras, este dado seria irrelevante e a estratégia louvada com a sentença “o Mister tem um plano”. O Catenaccio de Carleto, fórmula que contempla defesa forte e transições rápidas, seria até enredo de escola de samba.

Maré está mudando novamente

Na virada para 2023, o Brasil tinha claro que somente um treinador top de linha, sem os vícios da mentalidade local, recolocaria a Seleção nos trilhos para torná-la novamente competitiva aos olhos do mundo. Não havia ninguém no país acima da média. Carlo Ancelotti, ao desembarcar no Rio de Janeiro, recebeu, então, a carta branca para ser pragmático, conforme a exitosa carreira sempre apontou. Com um ano de Carleto, porém, os resultados não vieram, e parte da crônica esportiva já abandonou a tese do modelo estrangeiro para abraçar novamente o nacionalismo do retorno às origens. “O time tem que voltar a driblar e jogar para frente, como o Brasil. Abrir um pouco mão da organização tática”, sustentam, como se fosse uma fórmula mágica.

Aquela manchete de 2018 segue valendo. Só que o verbo passou do Pretérito Perfeito para o Presente do Indicativo. A equipe pentacampeã mundial parece um barco à deriva. Sem renovação, paz nos bastidores, categorias de base para abastecer a Seleção (e não o bolso de empresários) e um norte, nem Rinus Michels, se vivo fosse, conseguiria bordar, enfim, a sexta estrela na camisa verde-amarela. Em setembro, Ancelotti começará, finalmente, um ciclo do zero. Desta vez, com uma pressão descomunal e com o fantasma de uma campanha desastrosa na terra do Tio Sam.

*Esta coluna não reflete, necessariamente, a opinião do Jogada10.

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