Argentina x Inglaterra reedita rivalidade histórica na semifinal da Copa
Por Jogada10
Publicado em 12/07/2026 01:20:14Argentina e Inglaterra vão se enfrentar na semifinal da Copa do Mundo em um dos duelos mais carregados de história do futebol mundial. A partida será disputada nesta quarta-feira (15), às 16h, no Atlanta Stadium, em Atlanta, e colocará frente a frente duas seleções marcadas por confrontos esportivos, tensão política e episódios que atravessaram gerações.
A Argentina chega à semifinal depois derrotar por 3 a 1 a Suíça na prorrogação, com direito a golaço de Julián Álvarez. A Inglaterra, por sua vez, avançou ao vencer a Noruega por 2 a 1, também na prorrogação, com dois gols de Jude Bellingham. Agora, as duas seleções voltam a dividir o mesmo palco em uma Copa do Mundo pela primeira vez desde 2002.
O peso do confronto, porém, vai além da vaga na final. Argentina x Inglaterra carrega uma rivalidade incomum no futebol de seleções. Afinal, os países não pertencem ao mesmo continente, não disputam eliminatórias entre si e não se enfrentam com frequência. Ainda assim, cada encontro em Copa costuma ganhar contorno de clássico mundial.
Rivalidade cresceu antes mesmo da guerra
A história em Copas começou em 1962, no Chile, quando a Inglaterra venceu a Argentina por 3 a 1 na fase de grupos. Quatro anos depois, no entanto, a rivalidade ganhou outro tamanho. Em 1966, no estádio de Wembley, os ingleses venceram por 1 a 0 nas quartas de final e seguiram caminho até o título mundial.
A partida ficou marcada pela expulsão de Antonio Rattín. Capitão argentino, ele recebeu ordem para deixar o campo em um período no qual o futebol ainda não usava cartões amarelos e vermelhos. Como havia barreira de idioma entre jogador e arbitragem, a situação gerou confusão, protesto e forte repercussão.
Depois daquele jogo, a tensão se ampliou. Rattín virou símbolo de resistência para parte da torcida argentina, enquanto a imprensa inglesa tratou a partida como um retrato de dureza excessiva dos sul-americanos. Além disso, o episódio ajudou a impulsionar mudanças na comunicação da arbitragem, com a adoção posterior dos cartões.
O contexto ganhou ainda mais força neste Mundial. Rattín morreu neste sábado (11), aos 89 anos, no mesmo dia em que a Argentina entrou em campo contra a Suíça pelas quartas de final. Por isso, os jogadores argentinos usaram faixa de luto no braço.
Malvinas deram nova dimensão ao confronto
A rivalidade esportiva ganhou uma camada geopolítica em 1982. Naquele ano, Argentina e Reino Unido entraram em guerra pelo controle das Ilhas Malvinas, chamadas de Falkland Islands pelos britânicos. O conflito começou em 2 de abril, com a invasão argentina, e terminou em 14 de junho, com a rendição das forças argentinas.
A guerra deixou 907 mortos: 649 argentinos, 255 britânicos e três moradores das ilhas. Desde então, a disputa pela soberania segue aberta na diplomacia. A Argentina mantém a reivindicação sobre o território, enquanto o Reino Unido administra as ilhas como território ultramarino britânico.
Por isso, quando Argentina e Inglaterra se encontraram na Copa de 1986, o jogo carregava uma memória recente de guerra. Embora os jogadores evitassem transformar a partida em revanche oficial, o ambiente era inevitável. A vitória argentina por 2 a 1, no México, virou um dos capítulos mais simbólicos da história das Copas.
Naquele jogo, Diego Maradona marcou dois gols. Primeiro, fez o lance que ficou conhecido como a “mão de Deus”, ao desviar a bola com a mão antes de superar Peter Shilton. Depois, marcou o chamado “gol do século”, ao arrancar do campo de defesa, passar por vários ingleses e finalizar para o gol. Assim, a Argentina eliminou a Inglaterra e seguiu até o título mundial.
Beckham também marcou a rivalidade
O reencontro seguinte em Copa ocorreu em 1998, na França, pelas oitavas de final. A partida terminou empatada por 2 a 2 no tempo normal e na prorrogação. Em seguida, a Argentina venceu nos pênaltis por 4 a 3 e eliminou os ingleses.
Aquele jogo também entrou para a memória da rivalidade por causa de David Beckham. O meia inglês foi expulso depois de reagir a uma falta de Diego Simeone e acabou apontado por parte da imprensa britânica como culpado pela queda. Ao mesmo tempo, Michael Owen marcou um dos gols mais lembrados da seleção inglesa em Copas, com arrancada individual ainda no primeiro tempo.
Quatro anos depois, em 2002, a Inglaterra deu o troco. Na fase de grupos da Copa do Japão e da Coreia do Sul, venceu por 1 a 0, com gol de pênalti de Beckham. Para o camisa 7 inglês, o lance teve peso de resposta pessoal, já que veio depois da expulsão que o perseguiu desde 1998.
Agora, Argentina e Inglaterra se reencontram em cenário ainda maior. Pela primeira vez, o duelo vale uma vaga direta na final desde que os dois países transformaram seus encontros em capítulos de tensão esportiva e simbólica.
Semifinal opõe estilos e gerações
Dentro de campo, o confronto também reúne alguns dos principais nomes da Copa. A Argentina chega com Lionel Messi ainda como referência técnica e emocional. Mesmo em uma seleção mais coletiva, o camisa 10 segue decisivo em bolas paradas, passes curtos e momentos de aceleração perto da área.
Além disso, Lionel Scaloni conta com um meio-campo forte, formado por jogadores como De Paul, Enzo Fernández, Mac Allister e Paredes. Dessa forma, a Argentina costuma controlar ritmos, proteger a defesa e escolher melhor os momentos de avançar.
A Inglaterra, por outro lado, chega embalada por Jude Bellingham. O meia decidiu contra a Noruega e se consolidou como o principal nome inglês no torneio. Além dele, Harry Kane segue como referência ofensiva, enquanto a equipe tenta combinar força física, presença de área e jogo vertical.
Portanto, a semifinal não reúne apenas duas seleções tradicionais. Ela também recoloca em campo uma rivalidade que passa por Wembley, Cidade do México, Saint-Étienne, Sapporo, Malvinas e agora Atlanta. Argentina x Inglaterra, mais uma vez, terá peso de Copa e memória de história.
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