Time da virada, Argentina assume identidade: “Jogamos melhor em dificuldades”
Por Jogada10
Publicado em 16/07/2026 15:32:47A trajetória da Argentina até a final é digna dos roteiros mais dramáticos de cinema. Afinal, quem poderia prever quatro classificações apoteóticas consecutivas em uma Copa do Mundo? A seleção que “sabe sofrer” já marcou seis gols nos acréscimos ou na prorrogação dos jogos de mata-mata até aqui. No total, foram sete.
O número é um recorde absoluto, entre tantos que Messi e companhia vêm quebrando desde que começaram a enfileirar taças, em 2021. Contra a Inglaterra, na semifinal, os dois gols da virada saíram a partir dos 41 minutos do segundo tempo. Assim como contra o Egito, nas oitavas, os argentinos acordaram depois de estarem atrás do placar. Um sintoma que pode ser preocupante, mas, até agora, tem dado resultado.
“Achamos que contra o Egito era o máximo de sofrimento. Não poderia ser maior do que aquilo. Mas hoje (quarta-feira) superou. Até por ser o rival que foi, uma semifinal, da maneira que foi… não sei se já ocorreu alguma vez. E o segundo gol foi magnifico, com luta, insistência, com as caraterísticas de nossa equipe”, avaliou o técnico Lionel Scaloni, encantado com o gol de Lautaro Martínez, aos 47.
Espanha também teve drama
A decisão do título será contra a Espanha, domingo, às 17h, em Nova Jersey. O adversário traçou um caminho oposto: saiu na frente em todos as suas partidas a partir da segunda rodada da fase de grupos (na estreia, empatou sem gols com Cabo Verde). Algo que não ocorria com um finalista desde 1990.
No entanto, também não ficou livre de sufoco. Afinal, marcou o gol da vitória perto dos acréscimos contra Portugal (oitavas) e Bélgica (quartas). No duelo em tese mais difícil, diante da França, controlou as ações e surpreendeu o mundo com um 2 a 0 sem sustos.
A Argentina assumiu a identidade e o papel de sofrimento. Sem saber detalhar os motivos, Scaloni é só elogios à garra dos jogadores e cita o “cheiro de sangue” que sua seleção sente ao ver um adversário acuado.
“Acho que essa equipe joga melhor quando está em dificuldades. É assim que é. Difícil explicar, mas quando vemos que o adversário duvida um pouco, aí sentimos o sangue e vamos até onde temos que ir. É a sensação que me dá e que dá a eles (jogadores)”, definiu.
7 gols da Argentina “no apagar das luzes”
1 contra a Áustria (primeira fase)
2 contra Cabo Verde (segunda fase)
1 contra o Egito (oitavas de final)
2 contra a Suíça (quartas)
1 contra a Inglaterra (semifinais)
Além disso, foram outros dois gols depois dos 35 minutos do segundo tempo: o segundo contra o Egito e o primeiro, de empate, diante da Inglaterra.
Teve virada épica em 2022?
Cerca de 60% do grupo atual participou do título de 2022, no Catar. Porém, apesar do alto nível de drama, a situação foi um pouco diferente. A Argentina dominou quase todos os jogos, inclusive a semifinal contra a Croácia, mas sofreu empates da Holanda, nas quartas, e da França na final.
A perda da vantagem não fez o time abaixar a cabeça, diferentemente do que tem ocorrido com os rivais nesta Copa. No fim das contas, os argentinos garantiram o terceiro caneco de sua história com duas vitórias nos pênaltis.
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