Como a trajetória do técnico da Espanha é exemplo para a Seleção Brasileira
Por Jogada10
Publicado em 23/07/2026 16:56:57Há seis Copas do Mundo sem chegar sequer à final, o Brasil vive mais um momento de reflexão. De olho nos próximos ciclos, a Espanha pode ser um exemplo a longo prazo para a Seleção. Afinal, o técnico campeão em 2026 fez um trabalho de dez anos à frente das categorias de base até a chegar à equipe principal.
Jamais na história do futebol brasileiro um treinador ascendeu tanto e foi preparado para aplicar conceitos pré-estabelecidos como Luis de la Fuente. Ex-jogador de pouco brilho, iniciou na função em clubes de menor expressão e nunca esteve na La Liga até ser contratado pela federação espanhola, em 2013.
O projeto tinha objetivos claros: manter o estilo de jogo adotado pela seleção, a partir da garotada, e começar a formar atletas altamente preparados para cumprir funções táticas e executá-las com o máximo de perfeição possível. Ao mesmo tempo, no Brasil, as constantes mudanças de comando, tanto técnico quanto diretivo na CBF, e a falta de padronização na metodologia contribuíram para a ampliação da má fase no campo.
Técnico formou a seleção atual
Com o trabalho longevo, de la Fuente treinou mais de dez jogadores campeões do mundo no último domingo entre as seleções sub-17 e a olímpica, que representa a categoria sub-23. Por sinal, garantiu uma medalha para o país – prata em Tóquio, perdendo para o Brasil, que interrompeu seu projeto.
Ou seja, a geração que hoje tem de 23 a 30 anos conhece muito bem o seu comandante e confia no processo que levou, primeiro, aos títulos da Eurocopa sub-19 e sub-21. Ela engloba nomes como Unai Simón, Porro, Cucurrella, Rodri, Fabián Ruiz, Pedri, Dani Olmo, Merino e Oyarzábal.
A certeza do sucesso é tão grande que Luis de la Fuente afirmou, categoricamente, ser o homem certo para assumir a Espanha, em sua entrevista de apresentação, em 2023. Durante o Mundial, explicou que não era arrogância.
“Não quis parecer pretencioso, só constatei uma realidade. Vai ter gente que pode conhecer como eu, mas meu trabalho tinha que estar perfeitamente informado de quais são os melhores jogadores das últimas dez gerações”, disse, com a experiência de 13 anos as seleções espanholas.
Dança dos treinadores no Brasil
Enquanto isso, o Brasil nunca promoveu ou mesmo mannteve os últimos campeões das competições de base. Ney Franco, que conquistou o título mundial sub-20 em 2011, saiu um pouco depois. Já Rogério Micale, campeão olímpico em 2016, nunca mais fez parte do quatro das seleções. Um dos últimos exemplos foi André Jardine, que também levou uma medaha de ouro, mas não recebeu a valorização que esperava e foi fazer carreira no futebol do México.
Além disso, a Seleção acumula troca de técnicos que adotaram esquemas e ideias diferentes. Só no ciclo até 2026 foram quatro: Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e Carlo Ancelotti. O italiano, no entanto, estendeu seu contrato até 2030 e faz parte de um esforço da nova gestão da CBF para ter resiliência e confiança no trabalho, independentemente do resultado abaixo do esperado na Copa do Mundo.
“Rebranding” para fazer história
Hoje, a Espanha se gaba de ser a seleção mais vitoriosa neste século. Afinal, é a única a ganhar dois Mundiais e três Eurocopas no total. Mas nem sempre foi assim. Até alcançar a maior invencibilidade da história, com 39 partidas, a antiga “Fúria” passou por um rebranding, deixando de lado este apelido para adotar “La Roja”.
Isso foi um pedido do técnico Luis Aragonés, que, em 2004, tentou dissociar o jogo agressivo e sem padrões que marcavam os times de décadas anteriores. Sem sucesso até então, a Espanha assumiu um novo estilo, de posse de bola, paciência, controle do jogo e poucos riscos. Logo deu certo, com as conquistas da Euro de 2008 e da Copa de 2010. Porém, a década passada trouxe a realidade das eliminações de volta.
Medalhões como Julián Lopetegui e Luis Enrique estiveram no comando e tiveram problemas pessoais e, principalmente, internos no caminho. O primeiro, aliás, foi demitido da seleção às vésperas do Mundial de 2018 por ter assinado contrato com o Real Madrid para a temporada seguinte. O ex-zagueiro Fernando Hierro assumiu a prancheta às pressas e parou logo nas oitavas. O caminho, então, foi resgatar um nome sem grife e ego, e Luis de la Fuente era o maior candidato.
Invencibilidade x derrotas inéditas
Desde que chegou, o treinador de 53 anos sofreu apenas uma derrota, em amistoso para a Colômbia, em março de 2024. De lá para cá, foram 39 jogos de invencibilidade pela Espanha, provando que a escolha foi certeira. Este é o maior período sem derrotas de uma seleção em toda a história. Durante a Copa, a La Roja o número superou o Brasil da época do tetracampeonato e a Itália de 2018 a 2021.
A titulo de curiosiddade, o Brasil sofreu seis derrotas desde então. Os algozes foram Paraguai, Argentina, Bolívia (todos nas Eliminatórias), Japão (amistoso em 2025), França (amistoso pré-Copa) e Noruega (oitavas de final do Mundial). No início do ciclo, ainda havia sido batido por Senegal, Uruguai e Colômbia. Desta lista, foi o primeiro revés na história para os japoneses, uma goleada para o arquirrival e a pior colocação em Copa desde 1966.
Conquistas da Espanha com Luis de la Fuente:
Eurocopa sub-19: 2015
Eurocopa sub-21: 2019
Liga das Nações: 2022/2023
Prata nas Olimpíadas: 2021
Eurocopa: 2024
Copa do Mundo: 2026
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