Betinho Marques: Deixa o Cissé jogar, espaços são raros e as retrancas são insaciáveis
Por Jogada10
Publicado em 29/07/2026 22:46:45Depois de provarmos dos sabores da Copa, voltamos à programação normal. Mas com lições cada vez mais claras do Mundial: os espaços são raros e as retrancas são insaciáveis. O Futebol se rendeu à transição.
Com exceções raras, como a da seleção espanhola, ter a posse de bola e construir o jogo pode ser até um desejo lindo. Mas querer não é poder. A Fúria construiu, com o auxílio do Barcelonismo, uma ideia de jogo que ultrapassa, no mínimo, duas décadas. Ou seja, há uma inserção de cultura de jogo que demanda MUITO tempo e processo.
Considerando o atual cenário do CAM, a análise do plantel e as características do treinador Eduardo Domínguez, o Atlético não tem como predicados a capacidade de cadência de jogo e a posse de bola. E está tudo bem. Fundamental mesmo é ter noção espacial e tirar o melhor do que se tem, com coragem e convicção.
Na verdade, assim como indica a tendência, o Alvinegro é e precisa ser um time de escape rápido, com propósito definido. É um time de TRANSIÇÃO. Em síntese: o Galo TEM que ser um time bem ajustado defensivamente e que se torna letal nas escassas oportunidades que tiver.
Cissé é brilho nos olhos
Neste ambiente de ferrolhos e retrancas, ganha quem tem alguma carta diferente e desorganiza. Quando está tudo “arrumadinho”, alguém precisa quebrar os protocolos. Quando a arte estava muito acadêmica e clichê, no início do século XX, a Semana da Arte Moderna rompeu com isso. E quando o mundo vive a pirâmide invertida da bola, a alegria se faz ao ver os “Cissés” atrapalhando os desenhos táticos de um catenaccio em crise existencial.
Cissé, enxergado na Guiné pela captação do ex-gerente da base Erasmo Damiani e acolhido e potencializado por Luiz Carlos Azevedo, é o novo brilho dos olhos do atleticano. Com apenas 509 minutos jogados, o garoto, que entrou em 19 ocasiões, fez um gol e tem média de cerca de 27 minutos por jogo, já é o ativo mais reluzente do time da Massa.
Sim, e claro que garotos ensolarados como Mamady errarão, assim como ocorreu na peleja da Copa do Brasil contra o Ceará. Mas, se houver certeza no processo e no talento, no jogo seguinte o mesmo garoto pode fazer a diferença, como ocorreu diante do Mirassol, e dar um “tapa” de luvas nos anêmicos medrosos da hierarquia de vestiário.
Cissé, no último fim de semana, entrou no segundo tempo contra o líder Palmeiras, na casa do adversário, mudou a dinâmica do meio-campo e só quis fazer o básico: ser feliz jogando FUTEBOL. Deu passes em progressão, acertou o básico, ousou carregar e, a olhos nus, encantou quem gosta do esporte e saiu sorrindo como se fizesse publicidade de creme dental.
Transição rápida = gol
No contexto do possível, no qual cerca de 50% dos gols nas principais ligas atuais saem de transições rápidas, na espera do erro do adversário, e outros cerca de 30%, em bolas paradas, sobraram então 20% para a construção criativa. Sendo assim, cabe a nós lutar para que o brilho nos olhos do esporte passe pelo sorriso “alumiado” dos novos Cissés e para que os burocratas saiam do campo e sejam só carimbadores dos órgãos famigerados que só fazem nos atrasar e vender dificuldades.
Tá tudo muito retrancado, a gente quer ver uma tela diferente, um rabisco mais elástico e um sorriso menos programado. Lembre-se: os espaços são raros e as retrancas são insaciáveis. Ó, deixe eu te falar: menos IA e mais Cissés a jogar.
Galo, som, sol e sal é fundamental.
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