Pouco tempo e “brilho especial”: por que adeus de Depay chateou Diniz
Por Jogada10
Publicado em 15/08/2026 08:10:51
Após o Corinthians arrancar um precioso empate com o Rosário Central, na Argentina, a fala de Fernando Diniz que mais ecoou não foi sobre o valor do resultado, tampouco a estratégia que adotou para conter o adversário. O que predominou no noticiário foram as palavras lastimosas, em tom franco, do treinador sobre a saída de Memphis Depay do clube. Isso porque ele nutria grande expectativa de contar com o holandês, com quem esperava fazer “uma dupla interessante”. Assim, o surpreendente desfecho negativo das tratativas para renovação foram um baque que Diniz não disfarçou.
“Fiquei muito triste e decepcionado com o desfecho, tinha uma vontade muito grande de trabalhar com ele. Meu contato com ele foi de muita qualidade, entendimento e fazer coisas boas juntos. Eu, de fato, fiquei triste e decepcionado com o desfecho. Naquele estágio que estava era uma impossibilidade”, confessou Diniz.
Para aquilatar como Diniz, de fato, alimentava vontade de contar com o astro holandês, basta lembrar as suas primeiras palavras ao chegar no clube. Em 7 de abril, durante sua apresentação, o técnico não economizou elogios ao então camisa 10 alvinegro, que considera um “extra série”.
“Memphis no Brasil é um presente, uma estrela mundial. É um jogador que, desde que chegou, foi muito importante. Nos momentos decisivos das conquistas recentes do Corinthians ele esteve muito presente e atuante. Quando a gente joga contra, sabe que ele pode decidir o jogo a qualquer momento, tem um brilho especial, gosta do Corinthians, do Brasil de ser decisivo e tem carisma pra isso”, enalteceu.
Menos de 90 minutos com Memphis Depay em campo
Em pouco mais de três meses no Corinthians, Fernando Diniz só pôde contar com Memphis Depay em duas partidas. No total, o holandês atuou 85 minutos com o técnico – 35 minutos na vitória por 1 a 0 sobre o Atlético-MG, pelo Brasileirão, e 50 minutos na derrota para o Platense por 2 a 0, na Libertadores. Esses dois confrontos foram na Neo Química Arena.
Além da demora nas negociações, o jogador desfalcou a equipe no período por dois meses devido a uma lesão muscular na coxa direita. Em junho, ele se apresentou à seleção holandesa para a disputa da Copa do Mundo.
Há apenas oito dias, após a eliminação para o Internacional, pela Copa do Brasil, Diniz teceu novos elogios ao jogador, já contando que o Corinthians iria renovar contrato com o camisa 10. Novamente, o treinador frisou como a presença do maior artilheiro da história da seleção holandesa seria essencial para a equipe no Brasileirão e na Libertadores.
“Ele vai nos ajudar muito. Acredito que, nesses próximos dias, vai resolver, acertar a renovação, e a gente vai poder trabalhar junto. Eu trabalhei com o Memphis no campo por poucos dias, praticamente quatro ou cinco. Mas ele é um cara que vai dar peso, qualidade e experiência. Então, vai ser muito bom poder contar com ele” disse o treinador do Corinthians, que, em outro momento, havia declarado ter estreitado relações com o atleta, chamando-o de “pessoa diferente”.
Decisivo em títulos e qualificação do setor ofensivo
O histórico de Memphis Depay em quase dois anos de Corinthians deu amparo aos anseios de Fernando Diniz e explicam sua frustração. Com o holandês, a equipe teve 58,2% de aproveitamento (40 vitórias, 18 empates e 21 derrotas em 79 jogos, sendo 62 como titular). Com 20 gols, ele é o quinto estrangeiro com mais bolas na rede pelo clube. Ademais, acumulou 15 assistências com a camisa do Timão
No entanto, o fato mais relevante da passagem do holandês pelo clube foram os títulos. Com o camisa 10, o clube conquistou três taças – Campeonato Paulista e Copa do Brasil de 2025, além da Supercopa do Brasil de 2026. Ademais, o título estadual, obtido em uma final contra o arquirrival Palmeiras, encerrou um jejum de quase seis anos do Timão sem levantar um troféu.
“É um título para os torcedores. Estou muito feliz pelos torcedores, temos que dedicar esse título aos torcedores, que não comemoravam há um tempo”, afirmou Memphis durante a festa do Paulistão, mencionando o fim da seca.
Relação pessoal e importância de contar com uma estrela no elenco
Para Diniz, a presença de Memphis Depay no Corinthians era um trunfo de qualificação do setor ofensivo da equipe, dando corpo ao modelo ofensivo que o treinador costuma adotar. Além disso, no passado o técnico deu mostras de que gosta de trabalhar com jogadores estrelados. Assim foi, por exemplo, com Neymar, no curto período em que o treinador esteve na Seleção Brasileira, e Philippe Coutinho, em 2025 no Vasco, finalista da Copa do Brasil.
Nos dois casos, Diniz se derreteu diversas vezes em elogios aos atletas e os blindou em momentos de questionamento. O treinador já falou sobre seu gosto por ter em seus elencos jogadores de um patamar mais alto e sua boa relação com eles.
“Sempre me dei muito bem com as estrelas que trabalhei. Com Marcelo, Ganso, Felipe Melo, Coutinho no Vasco, Daniel Alves e Pato no São Paulo”, afirmou Diniz em entrevista á Romário TV em outubro de 2025.
No caso específico do Corinthians, o técnico tinha a perspectiva de dar uma nova tração ao trio Memphis, Rodrigo Garro e Yuri Alberto, o GYM. A trinca foi vital nas três conquistas recentes e Diniz esperava reacender essa chama com a permanência do holandês e assim que o camisa 9 se recuperasse da lesão atual,
Sobrevivência na Copa Libertadores e choque de realidade
No primeiro jogo após o frustrante adeus de Memphis e sem poder contar com Yuri Alberto, o Corinthians soube suportar o ambiente hostil do estádio Gigante de Arroyito, em Rosario. O empate por 0 a 0 com os argentinos deixa a equipe em boas condições para definir a vaga nas quartas de final da Libertadores em casa, na próxima quinta-feira (20). A equipe teve um bom comportamento defensivo, mesmo após expulsão de Allan, aos 34 minutos do segundo tempo.
O espírito de competição foi a principal virtude da equipe. Até o fim de agosto, haverá desafios de monta. Além do jogo decisivo contra o Rosario Central, haverá outros dois duelos grandes na Neo Química Arena, contra Cruzeiro e Santos, e uma visita ao Coritiba, todos pelo Campeonato Brasileiro. O período mostrará se Fernando Diniz e o grupo assimilaram o desfecho do caso Memphis e definirá os rumos para os meses finais da temporada.
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