Palmeiras perde fôlego pós-Copa e entra em semana decisiva
Por Jogada10
Publicado em 16/08/2026 08:07:04O Palmeiras atravessa seu pior momento desde a retomada do calendário após a Copa do Mundo. A derrota por 3 a 2 para o Fluminense, neste sábado (15), no Maracanã, ampliou para quatro partidas a sequência sem vitória e expôs novamente dificuldades que vêm acompanhando a equipe nas últimas semanas. O cenário ainda está distante de ser irreversível: o Verdão lidera o Campeonato Brasileiro, está nas quartas de final da Copa do Brasil e segue vivo na Libertadores. No entanto, a margem para novos tropeços diminuiu consideravelmente.
Os números ajudam a dimensionar a queda. O Palmeiras chegou à pausa da Copa do Mundo com 41 pontos em 18 rodadas do Brasileiro e sete de vantagem sobre o Flamengo. Naquele momento, havia conquistado 75,9% dos pontos disputados. Desde a retomada, foram cinco partidas pelo campeonato, com duas vitórias, um empate e duas derrotas: sete pontos em 15 possíveis e aproveitamento de 46,7%. A equipe agora soma 48 pontos em 23 jogos.
Além disso, o Flamengo passou a representar uma ameaça muito mais concreta. O Rubro-Negro tem 42 pontos e apenas 21 partidas disputadas. Portanto, apesar dos seis pontos de diferença na classificação, os cariocas possuem dois jogos a menos e podem alcançar a pontuação palmeirense caso vençam ambos. O cenário contrasta com o início do período pós-Copa, quando o Palmeiras retornou ao calendário com sete pontos de frente e controle maior sobre a disputa.
Retorno começou bem, mas desempenho não se sustentou
A retomada chegou a transmitir uma impressão diferente. No dia 22 de julho, o Palmeiras venceu o Coritiba por 3 a 1, no Couto Pereira. Mesmo com sete desfalques, Abel Ferreira utilizou uma formação com três zagueiros, viu Mauricio marcar duas vezes e recebeu elogios pela atuação. A análise do ge classificou o triunfo como uma vitória com autoridade, principalmente pelo desempenho no primeiro tempo.
O primeiro alerta apareceu quatro dias depois. Em casa, o Verdão perdeu por 2 a 1 para o Atlético-MG. A equipe teve perto de 70% de posse em alguns momentos, mas encontrou dificuldades para transformar domínio territorial em oportunidades. Carlos Miguel falhou no primeiro gol e também teve uma saída ruim no segundo. Giay, por sua vez, apresentou problemas na construção. Naquele momento, o ge já apontava falta de agressividade e dificuldade para controlar a intensidade da partida.
A reação veio rapidamente. Na rodada seguinte, o Palmeiras goleou o Vitória por 4 a 0, no Barradão. Depois, abriu boa vantagem nas oitavas da Copa do Brasil ao fazer 3 a 0 no Fortaleza no Nubank Parque. Essa vitória, porém, permanece como a última do time na temporada. Desde então, são quatro jogos sem vencer.
Início dos tropeços
A sequência começou no confronto de volta com o próprio Fortaleza. Apesar do tropeço, o Palmeiras confirmou a classificação graças à vantagem construída na primeira partida. Em seguida, empatou por 0 a 0 com o Internacional pelo Brasileiro, ficou no 1 a 1 com o Cerro Porteño pela Libertadores e, agora, perdeu por 3 a 2 para o Fluminense. No total, desde o retorno da Copa, são oito partidas, três vitórias, dois empates e três derrotas.
O problema, portanto, não está apenas nos resultados. Antes mesmo da derrota no Maracanã, o rendimento como mandante já provocava preocupação. Nos quatro primeiros jogos em seu estádio depois da pausa, o Palmeiras venceu somente o Fortaleza. Além disso, perdeu para o Atlético-MG e empatou com Internacional e Cerro Porteño.
Falhas individuais aumentam pressão sobre jogadores
A oscilação coletiva também trouxe jogadores importantes para o centro das críticas. Carlos Miguel tornou-se um dos exemplos mais evidentes. O goleiro teve participação decisiva nos dois gols sofridos diante do Atlético-MG e, posteriormente, voltou a cometer uma falha grave contra o Cerro Porteño. O Palmeiras vencia por 1 a 0 até os acréscimos, quando ele não conseguiu cortar o cruzamento rasteiro de Jonatán Torres e permitiu o empate.
O setor ofensivo também apresenta questões. Vitor Roque chegou ao jogo contra o Fluminense com 160 dias sem marcar pelo Palmeiras. O último gol havia ocorrido em 8 de março, contra o Novorizontino, pelo Campeonato Paulista. Nesse intervalo, o atacante sofreu duas lesões no tornozelo esquerdo, passou por cirurgia e ficou quatro meses afastado. Desde que voltou, em 26 de julho, ainda não conseguiu balançar as redes. Contra o Fluminense, começou como titular, mas deixou a equipe no intervalo.
As laterais também passaram a ser alvo das avaliações negativas. Na derrota deste sábado, por exemplo, Giay, Piquerez e Arthur tiveram atuações abaixo do esperado, enquanto o Fluminense encontrou espaços justamente pelos lados do campo na reta final. A equipe esteve vencendo por 2 a 1 aos 36 minutos do segundo tempo, mas sofreu dois gols em dez minutos e deixou o Maracanã derrotada.
Mauricio, autor do segundo gol palmeirense, reconheceu o momento após a partida.
“A gente não pode estar desligado nesses momentos, ainda mais que ficou na frente duas vezes, não pode dar essa brecha. Em dois lances eles foram felizes, infelizmente essa é a má fase que a gente está passando. Mas a gente tem que continuar trabalhando, trabalhar ainda mais, e quarta-feira temos uma decisão muito importante”, afirmou o meia.
Abel passa a conviver com cobrança pelo desempenho
A pressão também se voltou para Abel Ferreira. A discussão não se restringe aos resultados. Parte das críticas está relacionada à dificuldade do treinador em fazer um elenco valorizado apresentar desempenho proporcional às opções disponíveis. Já depois da derrota para o Atlético-MG, comentaristas questionavam a produção da equipe. Após o empate com o Cerro Porteño, o tom aumentou.
Mauro Cezar Pereira, por exemplo, afirmou no UOL que o Palmeiras “está jogando nada em lugar nenhum” ao analisar a sequência de atuações. O comentarista criticou o repertório ofensivo e a dificuldade da comissão técnica para extrair mais de um elenco considerado um dos mais fortes do continente. Trata-se de uma avaliação opinativa, mas que exemplifica como o debate sobre Abel passou do resultado para a qualidade do futebol apresentado.
A relação com a torcida também exige contexto. Na última semana, a Mancha Verde espalhou a mensagem “A paciência acabou*”, o que inicialmente foi interpretado como uma nova ofensiva contra Abel. Horas depois, a própria organizada esclareceu que a manifestação era direcionada ao que chamou de “sistema”, citando STJD e mídia, e não ao treinador. Mesmo assim, o episódio recuperou uma relação que já sofreu forte desgaste anteriormente, inclusive com pedidos pela saída do português.
Frustração em casa
Contra o Cerro Porteño, o ambiente começou com forte apoio. A Mancha distribuiu cerca de 20 mil panfletos com cantos para incentivar a equipe. Entretanto, a dificuldade para marcar aumentou a impaciência nas arquibancadas, e o gol sofrido nos acréscimos encerrou a noite sob frustração.
Depois da derrota para o Fluminense, o próprio Abel admitiu o mau momento, embora tenha rejeitado a interpretação de que a temporada esteja comprometida.
“Entendo a pergunta e, se olhares para o momento, estamos a passar por um momento ruim individual e coletivo. Se olhar para a classificação, se você e seus colegas começarem a alarmar, quando chegarmos no final vamos olhar para a classificação, ver a posição que estamos, se ainda estamos em condição de lutar… às vezes, pela forma que me pergunta, parece que perdemos o título hoje. Perdemos um jogo, não o título.”
O português também reconheceu erros na atuação no Maracanã e cobrou evolução. Ao mesmo tempo, fez questão de lembrar que o Palmeiras ainda lidera o Brasileiro e permanece vivo nas demais competições.
Libertadores transforma quarta-feira em teste decisivo
É justamente a Libertadores que pode determinar a temperatura dos próximos dias. O Palmeiras enfrenta o Cerro Porteño na quarta-feira (19), às 19h (de Brasília), no Estádio General Pablo Rojas, a Nueva Olla, em Assunção. Depois do empate por 1 a 1 em São Paulo, uma vitória garante a classificação às quartas de final. Novo empate leva a decisão para os pênaltis, enquanto uma derrota elimina o Verdão.
Pedra no sapato
O histórico recente contra o adversário aumenta o alerta. Palmeiras e Cerro já se enfrentaram três vezes nesta Libertadores, e o time de Abel ainda não venceu. Na fase de grupos, houve empate por 1 a 1 em Assunção e vitória paraguaia por 1 a 0 em São Paulo. Agora, o primeiro confronto das oitavas também terminou empatado. São, portanto, uma vitória do Cerro e dois empates em três encontros.
O desempenho da ida também deixou sinais preocupantes. Mesmo terminando a partida com 20 finalizações, oito delas no alvo, o Palmeiras teve dificuldades para desmontar a defesa adversária. Andreas Pereira acabou expulso no segundo tempo, Flaco López abriu o placar aos 36 minutos, mas a falha de Carlos Miguel nos acréscimos impediu que a equipe construísse vantagem antes da viagem ao Paraguai.
A situação ainda está longe de representar uma temporada perdida. O Palmeiras permanece na liderança do Brasileiro e já alcançou as quartas da Copa do Brasil. No entanto, o cenário mudou de forma significativa desde a Copa do Mundo. A equipe que retornou ao calendário com sete pontos de vantagem na liderança e três frentes abertas chega à segunda metade de agosto pressionada pelo Flamengo, sem vencer há quatro jogos e obrigada a buscar fora de casa sua permanência na principal competição continental.
A resposta em Assunção, portanto, terá peso maior do que uma simples vaga nas quartas de final. Para o Palmeiras, será também a primeira oportunidade de interromper uma sequência que transformou uma posição de controle em um momento de pressão.
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