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Traição e suspeita de desvios levam dirigentes do Juventus à Polícia

Por Jogada10

Publicado em 17/08/2026 14:16:22
Traição e suspeita de desvios levam dirigentes do Juventus à Polícia

O Juventus, tradicional clube centenário de São Paulo, virou alvo de uma investigação da Polícia Civil que reúne suspeitas de desvios milionários, intimidações e traição conjugal envolvendo pessoas ligadas aos bastidores. Essa apuração ganhou força quando a instituição passou a receber valores altos com a venda da SAF, há 10 meses, após anos de dificuldade.

Após anos de dificuldades financeiras, o clube passou a receber valores elevados pela venda da SAF e também por um acordo comercial com a escola bilíngue Maple Bear, com direito a utilizar uma área da sede por 20 anos. A investigação da Polícia Civil se concentra em identificar se o presidente do clube, Tadeu Deradeli, e o presidente do Conselho Deliberativo, Carlos Eduardo Gomes Pedroso, embolsaram parte dos recursos — suspeita negada pelo mandatário.

A posição de Carlos Pedroso, que ainda não se manifestou, dentro da estrutura policial também faz parte da apuração. Isso porque ele atua como escrivão de polícia e, segundo as denúncias, teria recorrido ao cargo para ameaçar e perseguir adversários políticos. Além disso, há relatos de que o dirigente se utiliza de armas em reuniões e ainda teria afastado  opositores do Conselho de maneira arbitrária. A Corregedoria da Polícia conduz o inquérito.

Traição conjugal

Neste ponto da investigação, surgem dois outros nomes centrais: os advogados Luma Zaffarani e Guilherme Rodrigues, que até março formavam um casal. A história deles se mistura a de Carlos Eduardo Gomes Pedroso e ao suposto esquema dentro do Juventus.

Guilherme apresentou à Polícia planilhas e comprovantes bancários que confirmavam sua participação e de Luma nas negociações do Juventus. Ainda em depoimento, o advogado reconheceu que atuou diretamente nas tratativas de bastidores até março deste ano, período em que descobriu a suposta traição da companheira. A denúncia cita Carlos Eduardo Pedroso, presidente do Conselho, como o homem com quem ela se relacionava.

A versão sobre a infidelidade também aparece no depoimento de uma amiga do ex-casal. Em declaração pública registrada em cartório e entregue à Polícia, ela afirma ter ouvido de Luma que ela e Carlos estavam juntos e planejavam retirar Guilherme das negociatas. A testemunha informou, ainda, que Pedroso teria prometido negócios vantajosos à advogada.

Guilherme começou a suspeitar da traição no início deste ano, quando vizinhos relataram que Luma, sua companheira há uma década, havia chegado em casa em um veículo da mesma cor e modelo do usado por Carlos. Ainda em março, o advogado consultou imagens de câmeras de segurança do clube e da rua onde o casal morava. Ele, então, concluiu que ela mantinha um caso com o presidente do Conselho.

A separação ocorreu em março e de forma pouco amistosa, inclusive com acusações de agressões de ambos os lados. Luma alegou violência doméstica à Justiça e conseguiu uma medida protetiva cautelar contra o ex-companheiro.

Escândalo financeiro no Juventus

Há outra denúncia, na frente financeira, que sustenta que o Juventus teria sofrido desvios milionários por meio do pagamento de honorários advocatícios. A operação da SAF figura como um dos negócios e, segundo consta, o clube social receberia R$ 20 milhões pela transação, enquanto a estrutura atribuída a Guilherme e Luma ficaria com R$ 2 milhões.

Na denúncia consta que o montante seria repartido igualmente entre Carlos, Tadeu e o casal de advogados. Além disso, Pedroso teria revelado que destinaria parte de sua parcela a uma quarta pessoa. Esta, porém, não identificada. A Polícia recebeu comprovantes de saques e depósitos, além de uma planilha com os repasses, que, segundo a denúncia, corroboram o relato de Guilherme.

Seguindo o depoimento de Guilherme, o Juventus teria desembolsado R$ 900 mil em honorários em dezembro do ano passado. Carlos teria, então, recebido R$ 341,2 mil dessa quantia em espécie, enquanto Tadeu Deradeli recebeu R$ 224 mil. O outro pagamento pelo contrato da SAF ocorreu em maio de 2026, no valor de R$ 350 mil, mas o advogado ficou fora da divisão por já ter terminado o relacionamento com Luma.

A advogada, por sua vez, nega a traição e a divisão dos honorários: “O Guilherme é meu ex-marido. A gente teve um fim de relacionamento complicado, e ele fazia saques de valores altos, chegou a colocar no processo judicial. Mas eu não tenho conhecimento de investigação da Polícia Civil. Ele chegou a disseminar notícias que fazia repasses, não eu, tenho certeza que não tem comprovante meu. Eu nunca fiz repasse aos presidentes do clube ou do Conselho Deliberativo”.

Escola bilíngue

O advogado ainda cita a parceria com a Maple Bear, que segundo ele, antecipou R$ 500 mil de um total de R$ 3 milhões previsto no contrato de 20 anos. Do valor, R$ 25 mil ficaram com ele, R$ 106 mil foram destinados a Tadeu e R$ 369 mil ficaram com Luma e Carlos.

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