Neurologista diz que condição de Musiala pode ser genética
Por Jogada10
Publicado em 19/08/2026 11:23:29O segundo colapso de Jamal Musiala em poucos dias levantou dúvidas sobre a condição de saúde do jogador do Bayern de Munique. O meia sofre de crises de ausência, uma forma de epilepsia que provoca episódios breves. Em entrevista à revista alemã ‘Kicker’, o professor emérito Dr. Christian Elger, especialista em epileptologia, explicou a condição e como os médicos podem tratá-la.
Elger, de 76 anos, trabalhou durante 50 anos na área de epileptologia e atualmente chefia o departamento da especialidade na Clínica Beta, em Bonn. Segundo o especialista, a informação disponível indica que Musiala sofre de crises de ausência e que os episódios já acontecem há algum tempo.
O que são as crises de ausência?
De acordo com Elger, as crises de ausência representam uma forma específica de epilepsia. O especialista ressalta, entretanto, que a doença apresenta diferentes causas e que os médicos precisam investigar cada caso individualmente.
“Trata-se de uma forma especial de epilepsia, uma condição já difícil de descrever por ser definida por seus sintomas. Isso, por sua vez, envolve uma vasta rede de causas que precisam ser esclarecidas em cada caso individual. Se partirmos do pressuposto de que se tratam de crises de ausência, então representa uma forma de epilepsia com base genética”, afirma.
Além disso, o especialista destaca que existem diferentes formas da condição, mas que a maioria os pacientes fica livre das crises com o tratamento adequado.
“Existem diferentes formas dessa condição (epilepsia). Algumas começam muito cedo na infância, outras terminam na puberdade. Essas formas são caracterizadas por sua alta taxa de tratamento. Noventa por cento dos pacientes ficam livres de crises”, disse Elger.
Musiala poderá voltar a jogar?
Para Elger, um jogador com esse diagnóstico pode continuar praticando futebol, desde que cumpra determinadas condições.
“Se ele não tiver crises convulsivas, o diagnóstico estiver correto e o EEG ( eletroencefalografia ) estiver normal, então ele pode jogar”, enfatiza o médico.
Um dos principais pontos da entrevista envolve justamente a possibilidade de prever novos episódios. Elger afirma que não é possível prever quando uma convulsão acontecerá, mesmo com os métodos modernos disponíveis.
Segundo o especialista, a previsão só se torna possível poucos segundos antes do início do episódio e exige um esforço técnico considerável. Por isso, não é possível determinar simplesmente quando uma nova crise ocorrerá.
Tratamento é fundamental
O professor também rejeita a ideia de que o jogador possa evitar as crises por meio de preparação ou fortalecimento psicológico. Segundo Elger, estudos realizados durante anos não conseguiram demonstrar uma relação desse tipo. Por isso, o especialista considera o tratamento com medicamentos como o fator mais importante para controlar a condição.
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