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Vasco entra com recurso para enfrentar o Boca Juniors no Maracanã

Cruz-Maltino conta com o apoio do Ministério Público do Rio de Janeiro, que recomendou que o jogo decisivo aconteça no estádio

Por Theo Faria

Publicado em 06/10/2026 09:34:00 Atualizado em 06/10/2026 10:37:45
Festa da torcida do Vasco nas arquibancadas do Maracanã
O Vasco entrou com recurso na Justiça para mandar o duelo com o Boca Juniors (ARG) no Maracanã. O Cruz-Maltino conta com o apoio do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que recomendou ao Consórcio Fla-Flu que o embate pela semifinal da Copa Sul-Americana aconteça no local, tanto pela importância da partida quanto pela questão da segurança pública.
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Outro ponto abordado pelo órgão foi a conservação do gramado. O MPRJ citou que o campo não deve ser um impeditivo, uma vez que o estádio recebeu dois confrontos em um intervalo de 48 horas (cada) em algumas oportunidades ao longo deste ano.

O Gigante da Colina teve duas tentativas negadas de mandar o jogo no Maracanã. Na primeira, tentou dialogar diretamente com a dupla Fla-Flu. Depois, foi para a Justiça, inicialmente sem sucesso. O clube carioca precisa avisar à Conmebol qual será o palco da decisão até sexta-feira (10).

E São Januário? 

Em paralelo à briga na Justiça, o Vasco tenta a liberação de São Januário. Segundo o regulamento da Conmebol, o Cruz-Maltino não pode mandar o duelo no estádio porque tem capacidade menor do que a exigida (30 mil lugares) para esta etapa da Copa Sul-Americana.

O Gigante da Colina já conseguiu ampliar a lotação do estádio para 24 mil pessoas junto ao Corpo de Bombeiros e à Prefeitura do Rio de Janeiro. Ainda falta a aprovação da Polícia Militar, que em parecer inicial disse preferir que o embate acontecesse no Maracanã ou no Nilton Santos.

As datas das semifinais

O confronto de ida entre Vasco e Boca Juniors (ARG) está marcado para o dia 13 de outubro, às 21h30 (de Brasília), na Bombonera, em Buenos Aires, na Argentina. Já a volta acontecerá uma semana depois, no mesmo horário, ainda sem local definido.
Quem passar enfrentará o vencedor de Atlético-MG e Montevideo City Torque (URU).

Veja a nota oficial do MPRJ

“A Procuradoria-Geral de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) comunicou ao Governo do Estado que o Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor (GAEDEST/MPRJ) expediu, nesta segunda-feira (05/10), recomendação à concessionária Fla-Flu Serviços S.A. para disponibilizar o Maracanã para a partida entre Vasco da Gama e Boca Juniors, marcada para 20 de outubro, às 21h30, pela semifinal da Copa Sul-Americana. O documento aponta possível descumprimento do contrato de concessão nas negativas de utilização do estádio pelo Vasco e estabelece prazo de 48 horas, contado do recebimento da recomendação, para apresentação de resposta fundamentada pela concessionária.
O não acolhimento da recomendação poderá resultar na adoção de outras medidas extrajudiciais e judiciais, inclusive no ajuizamento de ação civil pública e na comunicação ao poder concedente para apuração de eventual descumprimento contratual.
A recomendação considera manifestação técnica da Polícia Militar contrária à realização da partida em São Januário e favorável ao Maracanã. Segundo a avaliação policial, o estádio apresenta condições mais adequadas de segurança, capacidade, mobilidade urbana e organização dos fluxos de chegada e saída das torcidas. A PM classifica a partida como um evento de alta complexidade operacional, considerando, entre outros fatores, o caráter eliminatório do confronto, a concentração de torcedores brasileiros e argentinos e a previsão de chegada de dezenas de ônibus da torcida visitante.
A concessionária havia negado o pedido do Vasco sob a justificativa de preservar o gramado, diante da proximidade com outras partidas. O GAEDEST/MPRJ ressalta que a manutenção do campo é um interesse legítimo, mas não pode prevalecer sobre a segurança dos torcedores, dos moradores do entorno e dos demais usuários do espaço urbano. Segundo o documento, eventual desgaste do gramado é passível de recuperação e ressarcimento.
O grupo também aponta que o Maracanã recebeu jogos de Flamengo e Fluminense em dias consecutivos em maio deste ano, enquanto pedidos do Vasco para enfrentar outros adversários foram sucessivamente recusados. Para o GAEDEST/MPRJ, a aplicação de exigências distintas pode configurar tratamento discriminatório, vedado pelo contrato de concessão.
Além da disponibilização do estádio, o MPRJ recomenda que a concessionária formalize e publique, no prazo de 30 dias, critérios objetivos, transparentes e isonômicos para analisar pedidos de utilização do Maracanã por qualquer clube. Os critérios deverão abranger os intervalos mínimos entre partidas, as hipóteses de recusa, a prioridade do calendário em relação a eventos não esportivos e a documentação técnica exigida, com aplicação indistinta a todos os clubes. As negativas deverão ser justificadas de forma individualizada e acompanhadas da documentação técnica que as sustente.”