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Sem sustos no trajeto

Ocupantes do carro não perceberam que estavam sendo seguidos desde a Lapa

Flores, fotos e cartazes em homenagem a Marielle Franco foram colocados na entrada da Câmara dos Vereadores, no Centro do Rio
Flores, fotos e cartazes em homenagem a Marielle Franco foram colocados na entrada da Câmara dos Vereadores, no Centro do Rio - WILTON JUNIOR/ESTADÃO

No depoimento que a assessora de Marielle Franco prestou à polícia, ainda na noite do crime, na quarta-feira, ela contou que estava revisando fotos e textos do evento do qual a vereadora havia participado, pouco antes, na Lapa, no Centro do Rio. Por essa razão, a assessora que não teve a identidade divulgada, por questões de segurança disse que ela e Marielle não perceberam que o carro estava sendo seguido e que o motorista também não teria notado, já que não comentou nada.

Ainda de acordo com o depoimento citado pela TV Globo , a assessora disse que Marielle disse apenas "ué" ao ouvir os tiros e, em seguida, tombou para o lado, sobre ela. O motorista também não pressentiu nada até ser atingido.

Ontem, a assessora escreveu nas redes sociais pela primeira vez depois de quarta-feira à noite. "Estou viva. Mas a alma oca. A carne, ainda trêmula, não suporta a dor que serpenteia por dentro, num looping sem fim. Minha amiga, na tentativa de calarem a sua voz, a ampliaram ensurdecedoramente, em milhares de bocas. Para sempre. #MarieleVive", escreveu.

Também ontem, houve novos atos de repúdio à morte da vereadora e do motorista, Anderson Gomes, além de homenagens em vários pontos do Rio. Atos similares ocorreram em outros estados, como a Paraíba, onde mora uma tia de Marielle, Maria das Neves, em João Pessoa, e também em outros países. Na Argentina, cerca de 100 pessoas prestaram uma homenagem póstuma à vereadora no centro de Buenos Aires. Outra manifestação ocorreu em Barcelona, na Espanha.

Vaquinha para viúva e filho

Tocado pela morte de Anderson, o gerente comercial Rhavi Thomaz Mendes Pinta, de 27, criou conta no site 'Vakinha' com objetivo de arrecadar fundos para a família do motorista. Anderson fazia bicos e estava cobrindo um amigo quando foi assassinado. Ele deixou esposa e um filho de 1 ano.

"Estava pensando em fazer, fui lá e fiz. Já que o estado não faz nada, resolvi ajudar", disse Rhavi, que revelou ainda que sofreu críticas de internautas que desconfiaram de sua atitude e o acusaram de querer se aproveitar da situação.

Até o fechamento desta edição, a vaquinha virtual havia arrecadado R$ 2.950,00. Segundo a viúva de Anderson, o filho do casal nasceu prematuro e precisa de cuidados especiais, além de cirurgia e tratamento hormonal.

Irmã reage a ofensas na rede

A professora de inglês Anielle Silva, irmã de Marielle, publicou nas redes sociais um desabafo sobre os ataques e insultos direcionados à vereadora. "Respeitem a nossa família. Respeitem a nossa dor. Respeitem a luta da minha irmã. Respeitem o trabalho dela. Apenas respeitem", escreveu Anielle, de 33 anos. Ainda nas redes sociais, a professora disse que não vai se calar diante das ofensas, "mesmo na dor". Ela também manifestou insatisfação com "humanos comemorando a morte de outros humanos".

Já a filha de Marielle, a estudante Luyara Santos, de 20 anos, voltou às redes sociais, ontem, para fazer um novo desabafo: "Alguém me acorda desse pesadelo!". Na quinta-feira, ela já havia postado que os assassinos de sua mãe também mataram 46 mil eleitores.

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