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Sem provas pra denúncia

Ministério Público pede libertação de 138 dos 159 presos em 'festa da milícia'

Sem provas para oferecimento de denúncia, o Ministério Público (MP) pediu à Justiça a revogação da prisão preventiva de 138 dos 159 presos na "festa da milícia". O órgão acusador afirmou, em nota, que vai denunciar os 21 suspeitos restantes, mas não esclareceu em qual crime serão enquadrados. Eles devem permanecer detidos.

A medida acaba, de vez, com a pretensão da Polícia Civil, que insistia na manutenção das prisões, apesar dos protestos da Defensoria Pública e de organizações de defesa de direitos humanos. Ontem, a Defensoria impetrou Habeas Corpus no Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo a liberdade de um dos presos: Vinicius Guedes de Almeida. No sábado, o artista circense Pablo Dias Bessa Martins, já havia sido libertado por ordem judicial. Ele trabalha na Europa e estava com viagem marcada.

Os 159 foram presos no dia 7 de abril, em uma suposta festa da milícia "Liga da Justiça", em Santa Cruz, na Zona Oeste. Na ocasião, houve confronto e quatro homens morreram. Eles seriam seguranças do líder do grupo, Wellington da Silva Braga, o Ecko, que, mesmo com o gigantesco aparato policial, conseguiu fugir. Foram apreendidos 13 fuzis, 15 pistolas, quatro revólveres, carregadores, coletes à prova de bala, granadas e dez veículos roubados, além de uniformes privativos das forças de segurança pública e outros materiais utilizados por grupos milicianos.

O chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, que assumiu o cargo após a intervenção federal na segurança, comemorou a operação, afirmando que "era o maior golpe contra a milícia". Mas a maioria dos presos seria de trabalhadores e moradores da região, que pagaram para participar da festa. O MP admite que, no evento, havia integrantes da milícia que controla o crime organizado na região. Porém, após "análise mais detalhada, entende que não há provas suficientes para a denúncia".

Reunião com defensoria

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) se reúne, hoje, com o subdefensor público-geral do estado, Rodrigo Pacheco, para tratar da prisão dos 159 presos sob suspeita de envolvimento com milícia. O encontro será no gabinete do parlamentar. A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa (Alerj), presidida por Freixo, já foi procurada por 30 familiares que negam o envolvimento dos parentes com o crime organizado. O objetivo é articular ações conjuntas entre a comissão e a Defensoria Pública para reverter as prisões, chamadas de arbitrárias.

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