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Casos de violência contra mulheres chocam o Brasil

Agressores parecem ignorar a Lei Maria da Penha, que completa 12 anos hoje

Mulher foi morta pelo marido no Paraná
Mulher foi morta pelo marido no Paraná - Divulgação

Na semana de celebração dos 12 anos da Lei Maria da Penha, o noticiário mais uma vez é ocupado por casos de violência contra a mulher, de Norte a Sul do País. Considerada um marco na história de defesa dos direitos das mulheres no Brasil, a Lei Maria da Penha foi sancionada em 7 de agosto de 2006, mas a impressão é de que os agressores ainda parecem ignorar a legislação. Segundo Rogério Cury, especialista em direito penal, o número de processos relativos ao tema 'Violência contra a mulher' que tramitam no Judiciário chega a quase um milhão, sendo dez mil casos de feminicídio (quando a mulher é morta por razões de gênero). De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 12 mulheres são mortas por dia no Brasil, vítimas desse crime.

No Paraná, o Ministério Público ofereceu ontem denúncia contra Luís Felipe Manvailer, de 32 anos, pela morte da esposa, Tatiane Spitzner, de 29, em Guarapuava. A advogada foi achada morta depois de cair do 4º andar do prédio onde morava com o marido, na madrugada de 22 de julho. Luís Felipe foi denunciado por homicídio qualificado e feminicídio.

Uma amiga de Tatiane disse que, entre março e junho, a advogada mandou mensagens, reclamando que o marido era "grosseiro, estúpido" e que "tinha ódio mortal dela".

Um outro caso, ocorrido em junho, foi esclarecido ontem pela Polícia Civil da Bahia. O laudo cadavérico mostrou que a recepcionista Isabel Cristina Bramont Moraes, de 35 anos, morreu por asfixia. Isabel foi levada morta para a UPA de Itapuã, em Salvador, pelo companheiro, Jairo Ernandes, no dia 22 de junho. Jairo foi preso um mês após o crime.

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A queda de Tatiane foi na madrugada do dia 22 de julho, no Centro. Conforme a Polícia Civil, depois da queda, Luis Felipe recolheu o corpo de Tatiane e o levou de volta para o apartamento.

Uma testemunha ouvida pela Polícia Civil de Guarapuava, na região central do Paraná, relatou que viu o marido recolhendo o corpo e que ouviu gritos: "Meu amor, acorda".

O marido foi preso após sofrer um acidente de carro na BR-277, em São Miguel do Iguaçu, a 340 quilômetros de Guarapuava.

Ele foi indiciado pela Polícia Civil por homicídio qualificado, motivo torpe, uso de meio cruel que impossibilitou a defesa da vítima e condição do sexo feminino (feminicídio), além do furto do carro da vítima. Ela nega as acusações e diz que a esposa se jogou da sacada.

O casal estava junto havia cinco anos e era "feliz", de acordo com a defesa do marido. O Ministério Público (MP-PR), porém, diz que Tatiane vivia um relacionamento abusivo. A família e amigos da vítima relataram que ela queria o divórcio.

Casos no DF e em Minas

Em Brasília (DF), no domingo, Marília Jane de Sousa Silva, de 58 anos, foi morta com um tiro no tórax pelo marido, o taxista Edilson Januário de Souto, de 61, no Recanto das Emas. Já em Governador Valadares (MG), ontem, a cabeleireira Tatiane Rodrigues da Silva, de 30 anos, foi morta com sete facadas pelo ex-namorado. Ela chegava em casa com o namorado atual quando foi surpreendida. O assassino conseguiu fugir, pulando um muro.

Assassinos de grávidas

No domingo passado, em Jaraguá do Sul (SC), Andreia Campos Araújo, de 28 anos, foi achada morta, enrolada em um cobertor, dentro de um carro. Ela estava grávida de três meses. O marido dela, Marcelo Kroin, de 39, confessou o crime e foi preso. Ontem, Simone da Silva, de 25 anos, grávida de dois meses, foi morta por asfixia em casa, no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio, pelo marido, Anderson da Silva, que fugiu.

Despedida, abraço e facadas

A estudante Whailly Michele Mendes da Silva, de 24 anos, foi esfaqueada 13 vezes pelo ex-namorado ao dar um abraço de 'despedida' que ele havia pedido. O caso aconteceu no sábado, em Ibitiúva, distrito de Pitangueiras, no interior de São Paulo. O agressor, identificado como Maycon Felipe de Oliveira Francisco, de 19 anos, se entregou à polícia ontem à tarde, acompanhado de um advogado e, segundo a Polícia Civil de São Paulo, foi liberado porque não houve flagrante. A jovem está internada na Santa Casa de Pitangueiras. Sua condição é estável. O agressor teve um relacionamento de seis meses com a estudante, que terminou após Whailly ter sido maltratada e ameaçada por ele.

Galeria de Fotos

Mulher foi morta pelo marido no Paraná Divulgação
A estudante Whailly Michele foi esfaqueada pelo ex-namorado Reprodução do Facebook
Andreia Campos Araújo Reprodução/Facebook
Tatiane Rodrigues da Silva Reprodução/Facebook
Vítimas de feminicídio - Simone Silva Reprodução/Facebook
Vítimas de feminicídio - Isabel Morais IMAGENS DE REPRODUÇÃO

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