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Crivella anuncia suspensão das aulas presenciais na rede municipal

SEPE/RJ diz que vai reivindicar que todas as atividades administrativas também sejam interrompidas até a pandemia ser controlada

Prefeito Marcelo Crivella em coletiva nesta sexta-feira
Prefeito Marcelo Crivella em coletiva nesta sexta-feira -
Rio – Como enfrentamento à covid-19, as aulas presenciais nas escolas do município do Rio de Janeiro estarão suspensas a partir da próxima segunda-feira, dia 7. A medida foi anunciada pelo prefeito Marcelo Crivella durante uma coletiva de imprensa com o governador em exercício Claudio Castro, nesta sexta-feira, no Palácio Guanabara, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio. A decisão atende a um pedido do Ministério Público e do Comitê Científico, que já tinha feito essa sugestão.
A Secretaria Municipal de Educação ressalta que as aulas presenciais haviam retornado, de forma voluntária, apenas para alunos do 9º ano do Ensino Fundamental, Programa de Ensino de Jovens e Adultos (PEJA 2) e Carioca 2 (projeto de correção de fluxos). A pasta explica ainda que as escolas permanecerão abertas para atendimento administrativo e que os alunos seguem recebendo conteúdo pedagógico.
"As escolas municipais nós estamos interrompendo, esperando que a gente consiga controlar essa curva e ela volta a uma estabilidade", disse Crivella, que também anunciou que os shoppings poderão funcionar 24h para as compras de Natal. A meta é, segundo as autoridades, evitar aglomerações durante as compras de fim de ano.
Para a médica Roberta França, essas medidas não tem o menor sentido. “Medida restritiva é voltar a restringir o shopping aberto, o restaurante aberto, as casas de shows, os cinemas, isso sim, lugares onde as pessoas verdadeiramente ficam aglomeradas, ficam muvucadas literalmente. Não usam máscara, porque é mentira falar que as pessoas usam máscara, pois não usam. E quando usam, usam no queixo, no braço, no bolso, em tudo que é lugar. Menos aonde realmente precisa, que é tampando a boca e o nariz”, avalia a especialista em geriatria, que atua na linha da frente no combate ao novo coronavírus.
“Já não tenho mais aonde atender, como atender, que dia e que hora para atender. Os consultórios lotados, hospitais lotados, os atendimentos domiciliares a gente já não consegue mais dar conta da demanda dos pedidos porque a gente tem que atender em casa pois não tem como levar o paciente para o hospital. Se continuar assim, entre 10 e 15 dias, a gente vai ter que decretar lockdown com certeza na cidade porque não tem mais para onde a gente correr”, antevê preocupada a doutora.
SEPE/RJ QUER ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS SUSPENSAS
O Sindicato Estadual dos Profissionais dos Educação do Rio de Janeiro (SEPE/RJ) disse, em nota, que vai reivindicar que não somente as aulas sejam suspensas, mas todas as atividades administrativas, pelo menos enquanto a pandemia não estiver devidamente controlada. A categoria mantém as aulas remotas.
“Infelizmente, o governador e o prefeito não anunciaram mais medidas restritivas, o que significa, ainda segundo as autoridades sanitárias e científicas, que o prefeito e o governador apenas podem estar adiando esse tipo de posição, que terá que ser tomada em algum momento devido ao colapso da rede hospitalar – que, diga-se de passagem, está sendo negado pelo governo”, afirma um trecho do comunicado do SEPE/RJ.
Uma professora da rede municipal, que pediu anonimato, apoia a suspensão anunciada pela Prefeitura do Rio, mas com ressalvas. “Muitos professores e seus familiares foram contaminados com a reabertura: quase 400 profissionais. A decisão demorou. Na verdade, não era nem para ter aberto as escolas. Não foi produtiva a reabertura”, avalia a profissional.