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Ministros do STF, CNJ e Defensoria Pública do Rio de Janeiro lamentam assassinato de juíza

Presidente da Corte, Luiz Fux, e Gilmar Mendes lamentaram morte de Viviane Vieira do Amaral Arronenzi

Supremo Tribunal Federal
Supremo Tribunal Federal -
Rio - Após o assassinato da juíza Viviane Vieira do Amaral Arronenzi, de 45 anos, morta a facadas na noite de quinta-feira, véspera de Natal, pelo ex-marido dela, o engenheiro Paulo José Arronenzi, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Defensoria Pública do Rio de Janeiro e Conselho Nacional de Justiça (CNJ) se manifestaram lamentando a morte da magistrada do Tribunal de Justiça do Rio.
O presidente da Corte, ministro Luiz Fux, lamentou a morte da juíza. Ele disse que o STF e o CNJ estão "consternados e enlutados", mas se comprometem com o desenvolvimento de ações para prevenir e erradicar a violência domésticas contras as mulheres no país.
"Lamentamos mais essa morte e a de tantas outras mulheres que se tornam vítimas da violência doméstica, do ódio exacerbado e da desconsideração da vida humana. A morte da juíza Viviane, no último dia 24, demonstra o quão premente é o debate do tema e a adoção de ações conjuntas e articuladas para o êxito na mudança desse doloroso enredo. Pela magistrada Viviane Vieira do Amaral Arronenzi. Por suas filhas. Pelas mulheres e meninas do Brasil", disse ele.
Fux lembrou que há um grupo de trabalho no CNJ criado para enfrentar a violência doméstica. Também disse que "tal forma brutal de violência assola mulheres de todas as faixas etárias, níveis e classes sociais, uma triste realidade que precisa ser enfrentada".

"O esforço integrado entre os Poderes constituídos e a sensibilização da sociedade civil, no cumprimento das leis e da Constituição da República, com atenção aos tratados internacionais ratificados pelo Brasil, são indispensáveis e urgentes para que uma nova era se inicie e a morte dessa grande juíza, mãe, filha, irmã, amiga, não ocorra em vão", destacou o presidente do STF", diz, em notal.
Além do presidente do STF, em uma postagem no Twitter, o ministro Gilmar Mendes disse que "o gravíssimo assassinato da Juíza Viviane Arronemzi mostra que o feminicídio é endêmico no país". Segundo ele, o feminicídio não conhece limites de idade, cor ou classe econômica. Ele acrescenta que o combate a essa forma bárbara de criminalidade quotidiana contra as mulheres deve ser prioritário.
Em nota, a Defensoria Pública do Rio de Janeiro manifestou profundo pesar pela morte de Viviane. "Infelizmente, é mais um caso de violência contra a mulher, uma chaga social que atinge todas as esferas da nossa sociedade, sem escolher origem, classe ou posição social. Nós, da Defensoria, nos unimos à dor dos entes queridos que agora choram esta perda irreparável".
Eles, ainda, dizem que lamentam profundamente que notícias de feminicídio sejam pauta frequente no Brasil, mesmo em dias que deveriam ser apenas de celebração à vida, se referindo com a proximidade do feriado de Natal. 
"Estamos à disposição de todas as mulheres que se sentem ameaçadas. Ao Judiciário fluminense, fica o registro de toda nossa solidariedade pela perda da magistrada que tão bem honrou a função que exercia. Perde o Judiciário; perde a sociedade; perde, sobretudo, a família", diz. 
Assassinato
O ex-marido da juíza, que foi preso em flagrante após matá-la a facadas na véspera de natal, não aceitava o fim do relacionamento. O crime aconteceu por volta das 18h, na Avenida Rachel de Queiroz, na frente das três filhas do casal menores de idade.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, Viviane havia feito um registro de ameaça e lesão corporal contra o ex-marido em setembro. Na época, ela chegou a ter escolta policial concedida pelo Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), mas logo pediu a suspensão.
De acordo com a Guarda Municipal, agentes estavam na base do subgrupamento, que fica ao lado do Bosque de Barra, quando foram acionados para ajudar a vítima. No local, encontraram a mulher caída e desacordada. O criminoso recebeu voz de prisão no local e foi encaminhado para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, onde foi atendido e posteriormente conduzido para a delegacia.
O Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TJTJ) também repudiou a ação do engenheiro. "'Toda mulher tem direito a uma vida livre de violência' – com essa bandeira, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, através de seus órgãos administrativos e, sobretudo, de seus magistrados vem ratificar o seu compromisso de fortalecimento da rede estadual de enfrentamento à violência contra a mulher neste Estado, cujo trabalho em equipe com diversos órgãos parceiros vem permitindo um efetivo acesso à Justiça aos casos de violência doméstica e feminicídio".