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Número de ações na Justiça por leitos de UTI de covid-19 no Rio cresceu 257,89% em março

Neste mês, até este domingo (28), foram 68 ações, enquanto que em todo o mês de fevereiro o plantão noturno da Defensoria foi acionado 19 vezes

A ocupação em CTIs na rede privada chegou a 95% no Estado
A ocupação em CTIs na rede privada chegou a 95% no Estado -
Rio - O número de ações na Justiça por leitos de UTI de covid-19 via plantão noturno da Defensoria Pública do Estado do Rio cresceu 257,89% em março em relação a fevereiro. Neste mês, até este domingo (28), foram 68 ações, enquanto que em todo o mês de fevereiro o plantão noturno da Defensoria foi acionado 19 vezes.
"Somente neste domingo foram 13 ações por leitos de UTI, 12 delas de pacientes infectados com a covid-19", diz a defensora pública Isabel Fonseca, coordenadora do Plantão noturno da Defensoria Pública estadual.
Segundo ela, os casos de ações na Justiça se intensificaram neste mês de março e atingiram cerca de 90% de todas as ações ajuizadas pelo plantão noturno. Em janeiro, esse percentual, segundo Isabel Fonseca, estava em 30%.
"No mês de janeiro, tivemos plantões em que não ajuizamos nenhuma ação relacionada à covid. A rede de saúde ainda estava dando conta dos atendimento. Em fevereiro, os casos começaram a subir e tiveram um salto agora em março", diz a defensora.
De acordo com ela, os casos tiveram aumento exponencial a partir da última sexta-feira. Até o dia 24, foram 35 ações na Justiça em busca de leitos de UTI na rede pública. Desde então, foram mais 33 casos, totalizando 68.
"Verificamos que, em muitos desses casos, os familiares já não conseguem o primeiro atendimento na UPA, e internam o parente na rede particular. E depois procurar ingressar na Justiça por meio da Defensoria para conseguir um leito na rede pública", diz Isabel Fonseca.
Quem conta com um plano de Saúde no Rio também enfrenta filas e falta de leitos para internação em UTIs para covid-19. Algumas regiões já operam na capacidade máxima também na rede privada. É o caso da Região dos Lagos, do Centro Sul Fluminense e do Norte Fluminense.
A ocupação em CTIs na rede privada chegou a 95% no Estado. A taxa supera a da rede pública do Estado, que está em 87,5% segundo divulgação da Secretaria Estadual de Saúde do Rio.
O principal gargalo para a abertura de novos leitos é a falta de medicamentos, como anestésicos, bloqueadores neuromusculares e drogas para manutenção do coma induzido, o chamado "Kit intubação". As informações são da Associação dos Hospitais do Estado do Rio.
Cremerj expressa preocupação com possível falta do “kit intubação” no estado do Rio de Janeiro
O Conselho de Medicina do Rio (Cremerj) divulgou nota técnica expressando preocupação com uma possível falta de medicamentos no estado do Rio de Janeiro de fármacos usados em procedimentos recomendados para alguns pacientes com Covid-19, como a intubação traqueal e ventilação mecânica, também conhecidos como “kit intubação”.
Considerando o alto índice de pacientes que necessitam atualmente desse tipo de terapêutica e o aumento da fila de espera por UTIs, que, nesta segunda-feira, ultrapassava o número de 700 pessoas aguardando, o Conselho recomenda aos médicos cautela na hora de usar esses medicamentos.
Na última terça-feira (23) o Cremerj já havia publicado uma nota técnica com recomendações a respeito. No entanto, devido ao agravamento do cenário da saúde pública do Rio de Janeiro nos últimos dias, o Conselho reforça algumas orientações aos médicos, principalmente os anestesiologistas, que, priorizem, em procedimentos anestésico-cirúrgicos, a utilização de fármacos que não estejam sendo usados nas UTIs, como os anestésicos inalatórios e bloqueios regionais, desde que a alteração não comprometa a segurança do ato anestésico-cirúrgico.
Além disso, o Cremerj orienta a interrupção provisória no agendamento de procedimentos anestésico-cirúrgicos eletivos não tempo-sensíveis (que a espera pode agravar), nos quais venham a ser utilizados quaisquer desses medicamentos, com a finalidade de poupá-los para as UTIs
“Estamos agindo por precaução. Não existe uma falta, mas a demanda está alta por esses medicamentos, muito maior do que a habitual. Isso é um fato. Precisamos nos prevenir em prol da qualidade da assistência médica no nosso estado e para garantir o melhor tratamento para os nossos pacientes”, explica Walter Palis, presidente do Cremerj.