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Filha de idoso relata precariedade no Hospital Albert Schweitzer, em Realengo

Segundo Aline Nery, seu pai Luiz Carlos da Silva Fagundes, 74 anos, esperou por 16 horas até conseguir uma maca. Ele foi diagnosticado com AVC

Por Thalita Queiroz

Publicado em 29/07/2021 19:40:50 Atualizado em 29/07/2021 19:40:50
O idoso Luiz Carlos da Silva Fagundes aguardou por 16 horas por uma maca no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo
Rio - Um idoso de 74 anos esperou por 16 horas, sentado em uma cadeira de rodas no corredor do Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, Zona Oeste do Rio, para conseguir uma maca e ser internado na unidade após ser diagnosticado com um acidente vascular cerebral (AVC). O paciente Luiz Carlos da Silva Fagundes procurou o hospital na segunda-feira (26), às 10h, e só foi acomodado em uma maca para se internar às 2h do dia seguinte. Inconformada com o tratamento recebido na instituição, a filha do idoso, Aline Nery Fagundes, 46 anos, denunciou as condições em que seu pai e outros pacientes vêm sendo submetidos.
"Eu fiquei todas esse tempo sentada no chão do corredor para acompanhar meu pai e pude ver muitos outros pacientes passando pela mesma situação. Não é somente a falta de maca, mas também o tratamento grosseiro dos funcionários que nos atendem, não é fácil pedir uma informação dentro daquele hospital, as pessoas viram as costas para gente", relatou ao DIA.
Aline revelou ainda uma outra irregularidade que diz ter presenciado na unidade. Ela conta que, ao ter acesso ao prontuário do pai, percebeu que constava no sistema que o idoso teria conseguido uma maca por volta das 11h da segunda-feira, o que na prática não aconteceu. "Meu pai só conseguiu uma maca para deitar durante a madrugada, horas depois do que consta no prontuário. Os pacientes desse hospital ficam em situações desumanas", disse
De acordo com Christiane Gerardo, dirigente regional do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde e Previdência Social no Estado do Rio (Sindsprev/RJ), até o momento ela não foi informada por nenhum funcionário da unidade sobre uma possível lotação. "Não chegou nos grupos essa informação, mas se o hospital estiver muito cheio vai faltar maca já que a estrutura é finita", explicou.
No final de abril, após 90% dos funcionários receberem uma mensagem informando que estavam de aviso prévio, a gestão da unidade ganhou um novo contrato de gestão. Desde o dia 30 de abril a Organização Social (OS) Viva Rio assumiu a unidade. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, todo o quadro de funcionários que havia sido demitido no início do mês de abril, ainda na gestão da OS Cruz Vermelha do Brasil, foi recontratado.
Procurada para comentar sobre a atual estrutura do Hospital Municipal Albert Schweitzer e sobre as denúncias expostas nesta matéria, a Secretaria Municipal de Saúde não respondeu até o momento.
*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes