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Missa inter-religiosa marca último dia de homenagens às vítimas da Chacina da Candelária
Lavagem na escadaria da igreja e caminhada no Centro também fizeram parte da programação nesta segunda-feira (24)
Por Meia Hora
Publicado em 24/07/2023 14:05:00 Atualizado em 24/07/2023 14:05:06Rio - Foi celebrada, na manhã desta segunda-feira (24), na Igreja da Candelária, no Centro do Rio, uma missa em homenagem às vítimas da Chacina da Candelária que, neste domingo (23), completou 30 anos. O ato marca o último dia de manifestações do movimento social "Candelária Nunca Mais!".
O movimento foi criado logo após o crime, e é formado por diversas instituições que buscam combater a violência contra menores de idade. Márcia Gatto, uma das coordenadoras, falou sobre o impacto dos atos. "Os atos foram essenciais para reforças que a barbárie continua. As crianças e adolescentes ainda sofrem com a violência dos agentes de estado. Nosso movimento tenta deixar um legado de que é necessário ir para rua, protestar, buscar os direitos das crianças e adolescentes", disse ela ao DIA.
Márcia também ressaltou a dedicação do movimento para conseguir a colocação da cruz em homenagem às vítimas em frente a igreja. "O governo do município do Rio apoiou a reforma e reinauguração da cruz em frente a Candelária. Ela, que possui os nomes das vítimas, é fundamental para manter nossa luta ativa", destacou.
A programação começou na sexta-feira (21), com um encontro virtual entre autoridades municipais, cujo tema debatido foi: Política Estadual de Prevenção e Enfrentamento aos Homicídios de Crianças e Adolescentes e a vigília de mães e familiares que tiveram filhos assassinados pela violência.
No domingo (23), o "Candelária Nunca Mais!" promoveu um outro ato virtual. A data marcou o dia exato em que ocorreu o crime contra os oito jovens, na porta da tradicional igreja, em 1993.
Já nesta segunda-feira (24), as atividades iniciaram às 9h com lavagem da escadaria e, em sequência, às 10h, a missa inter-religiosa na igreja, que contou com a presença de Marinete da Silva, mãe de Marielle Franco.
Ao meio-dia houve uma caminhada em defesa da vida, na Avenida Rio Branco, em direção à Cinelândia, e, às 13h, foi feito um ato público cultural, também na Cinelândia.
Morgana Lima, criadora do Projeto Calango, esteve na missa e falou sobre a importância dessas atividades.
"Não é só uma questão de saudade, mas lembrar que impunidade e o abandono não pode reinar. Precisamos de politicas públicas que promovam os direitos fundamentais da pessoa humana, valorizado cultura, educação, saúde do povo, garantindo a todos uma vida digna", disse.
*Reportagem feita pelo estagiário Lucas Guimarães sob supervisão de Iuri Corsini*